sexta-feira, 13 de maio de 2022

Hoje tem mais um evento da série “Depoimentos” sobre a obra de André Carneiro

Fechando a programação da 9ª Semana André Carneiro - Edição Comemorativa teremos hoje, dia 13 de maio, às 20 horas no Centro Cultural A.C mais um evento da série “Depoimentos”, onde a ideia é reunir pessoas que conheceram ou que tenham histórias a respeito do homenageado visando o registro da conversa para permanecer como arquivo. Temos confirmada a presença de Dona Terezinha Sireira, Gilberto Sant’Anna, Araceles Stamatil, Álvaro Vulcano (Vulca) e Paulo Urban, entre outros. Nelson de Souza, Dona Olinda Silveira e Francisca Simões deram depoimentos por escrito e serão lidas pela Juliana Gobbe durante o evento. A participação é aberta a todos os interessados. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Participe!

quinta-feira, 12 de maio de 2022

André Carneiro, Parapsicólogo e Hipnotizador é o tema da palestra que acontecerá hoje na UNIFAAT

Continuando a programação da 9ª Semana André Carneiro - Edição Comemorativa, teremos nesta quinta-feira, dia 12 de maio, às 20 horas, no auditório da UNIFAAT a palestra "André Carneiro, Parapsicólogo e Hipnotizador" com o psicoterapeuta Paulo Urban. Inicialmente voltado aos estudantes universitários da área a palestra é aberta aos demais interessados. Com dois livros publicados sobre o assunto: “O Mundo Misterioso do Hipnotismo”, de 1963 e “Manual de Hipnose”, de 1968, a hipnose é uma das áreas de atuação menos conhecida do homenageado. A palestra irá abordar esse tema e sua relação com o palestrante, fornecendo uma ótima oportunidade de conhecê-la.  A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. O auditório da UNIFAAT fica na Estrada Municipal Juca Sanches, 1050, Boa Vista - Atibaia/SP - Telefone  (11) 4414-4144. Participe!



Paulo Urban - Médico psiquiatra e psicoterapeuta, criador de sua própria abordagem psicoclínica, a Psicoterapia do Encantamento. É também escritor, poeta e sonetista, e pesquisador-experimentador dos Estados Ampliados de Consciência. Paulo Urban foi também diretor clínico do hospital psiquiátrico Casa de Saúde de São João de Deus de São Paulo, de 1994 a 2000. Articulista da Revista Planeta (2000 a 2006) e Editor-chefe da Revista Nova Consciência (2007-2008). Tradicionalmente, ministra os cursos ‘Tarô & Peregrinação Interior’ (desde 1990), ‘A Clínica dos Psicofármacos’ (desde 1994), e ‘Alquimia e o Processo Psicoterapêutico’ (desde 2001), além das palestras que realiza, especialmente sobre Hermetismo, Mitologia e Literatura. Tem alguns livros publicados, dois dos quais premiados pela Academia Paulistana da História: “Fractais da História – a Humanidade no Caleidoscópio” e “Santos Dumont, Bandeirante dos Ares e das Eras”, ambos pela editora Madras e escritos em coautoria com seu pai, o historiador Homero Pimentel. Além dos livros, parte de sua obra pode ser encontrada em seu site: www.amigodaalma.com.br


quarta-feira, 11 de maio de 2022

A Semana André Carneiro traz a obra cinematográfica do homenageado.

 



Com o tema “O ato de criação cine fotográfico de André Carneiro”, a professora Josette Monzani dará continuidade a 9ª Semana André Carneiro - Edição Comemorativa. A live traz uma reflexão sobre a produção artística do homenageado nas área do cinema. A mediação será de Juliana Gobbe. Josette Alves de Souza Monzani é professora do Programa de Pós Graduação em Imagem e Som da Ufscar. Mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC, SP, com pós-doutorado em Cinema pela ECA, USP. Pesquisa processos de criação e transcriação cinematográficos. Conforme noticiado anteriormente, teríamos a participação também de Ana Luiza Gambardella, mas por questões pessoais não será possível. O evento terá acesso na página do Youtube do Instituto Garatuja e começa às 20 horas. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Abaixo os curtas-metragens que farão parte do tema abordado:

O Último Encontro, de 1951



Solidão, de 1951


Estudo para um Enredo Dramático, de 1956


Estudo de Continuidade e Movimento, de 1950


Alguém - Longa-metragem de 1980, com roteiro baseado no conto O Mudo, de André Carneiro







terça-feira, 10 de maio de 2022

Hoje tem live sobre a obra literária de André Carneiro

Nesta terça, dia 10 de maio, dando continuidade a 9ª Semana André Carneiro a temática abordada será a obra literária do artista homenageado. Conduzida pelo escritor e agitador cultural Nelson de Oliveira, teremos a participação de Osvaldo Duarte e Silvio Alexandre, que irão falar da importância do jornal “Tentativa” e a participação de André Carneiro no Primeiro Congresso Brasileiro de Poesia, além de outros assuntos. A live começa às 20 horas e será transmitida pelo canal do Youtube do Garatuja. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Agende e participe!







Silvio Alexandre - Editor e gestor cultural com formação em Letras pela USP. Trabalha como consultor editorial e parecerista, além de desenvolver projetos editoriais junto a várias editoras. Criou e dirigiu várias coleções de literatura fantástica e de quadrinhos como a Coleção Zenith (Editora Aleph), publicando autores como Wiliam Gibson, Bruce Sterling, Orson Scott Card, Arthur C. Clarke, André Carneiro, entre outros; e a Coleção Star Trek (Editora Aleph). Nos quadrinhos criou a coleção Ópera em Quadrinhos (Editora Scipione); e coordenou Hamlet (DCL), A Luneta Mágica (Panda Books), entre outras. Foi editor executivo da Devir Editora; da Editora Mercuryo e da Editora Aleph especializada em ficção científica. Foi gerente de marketing nas editoras Conrad e do selo Pixel, da Ediouro. Curador e organizador de vários eventos literários como o Festival de Quadrinhos da Fnac; do Prêmio Fnac Novos Talentos – Quadrinhos; do "Paulista em Quadrinhos", da Secretaria de Estado da Cultura (SP). Foi jurado em Festivais Internacionais de Humor e Quadrinhos. É o criador do Fantasticon – Simpósio de Literatura Fantástica, o mais prestigiado evento do gênero no Brasil e referência no mercado editorial; membro da Comissão Organizadora do Troféu HQMIX, o principal prêmio dos quadrinhos no país. Na área acadêmica foi pesquisador/bolsista do CNPq, no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas – FFLCH com o projeto “Jeronymo Monteiro: uma precursora visão da Literatura Brasileira de Ficção Científica”. Foi convidado para apresentar o projeto na 52º Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira de Pesquisa Científica), na Universidade de Brasília, em 2000.





Osvaldo Copertino Duarte - Graduado em Letras pela Unesp – Universidade Estadual Paulista, Mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e Doutor em Letras pela mesma Universidade. Professor da Universidade Federal de Rondônia com experiência na área de Letras, ênfase em Teoria, Crítica e Análise Literária. Líder do grupo de pesquisa Mapa Cultural – Centro de Estudos em Cultura e Artes onde desenvolve, com apoio do CNPq, a pesquisa O Projeto crítico de Antonio Candido: tensões de um método fronteiriço. É coordenador do curso de doutorado interinstitucional (Unir/Unesp) em Letras. PRÊMIOS. Prêmio Blocos de Literatura. Juri: Astrid Cabral (Tradutora - Brasil), Fernando T. Meneses (Dramaturgo – Estados Unidos), Marc Fortuna (Comissão de ética da Internet – Inglaterra). Org.: Leila Miccolis e Urhacy Faustino. Editora Blocos, Rio de Janeiro, 2000. Concurso Literário da Cidade de Amora, Portugal – 2000. “As Mulheres na sociedade dos homens”. Amora, Portugal, 2000. Prêmio Nacional de Literatura “Ferreira Gullar” – Concurso Nacional Poesia Viva – 3º Lugar. UAPÊ Espaço Cultural Barra – Rio de Janeiro, 1999. Prêmio Moutonnée de Literatura – Concurso Nacional Poesia Viva – 2º Lugar. Secretaria de Cultura e Turismo. Salto. São Paulo, 1999. REALIZAÇÕES. Criação do SELL – Seminário de Estudos Literários da UNIR, Criação da Revista Instrumento Crítico – Rev. de Estudos da Linguagem, Criação do SEL – Seminário de Estudos Literários – Unesp – São José do Rio Preto. (Coordenador da Primeira edição do evento, 2001), Criação do Curso de Pós Graduação - Especialização em Letras “Literatura, Teoria e Metodologias Literárias”. Reformulado e implantado como curso institucional de modalidade regular em 2003 como “Curso de Pós-Graduação em Letras – Estudos Lingüísticos e Literários”, Criação do Curso de Pós-Graduação - Mestrado em Letras – Teoria da Literatura – Convênio Interinstitucional Unir / Unesp. Vilhena.


segunda-feira, 9 de maio de 2022

Hoje, na 9a Semana AC, a obra literária do homenageado será o tema de uma live conduzida pelo escritor Nelson de Oliveira.

A 9ª Semana André Carneiro terá continuidade nesta segunda e terça feira com a temática voltada à obra literária do artista. Serão duas lives conduzidas pelo escritor e agitador cultural Nelson de Oliveira. Nesta segunda teremos a primeira, com participação de Ramiro Giroldo e Roberto Causo que irão abordar as características da obra do André e sua relação com as demais áreas artísticas desenvolvidas pelo homenageado. Amanhã teremos a participação do editor Silvio Alexandre e do professor universitário Osvaldo Duarte. A live começa às 20 horas e será transmitida pelo youtube do Garatuja.



Nelson de Oliveira  - Escritor e coordenador de oficinas de criação literária, publicou mais de vinte livros, entre eles Gigante pela própria natureza (romance, 2019, finalista do Prêmio Kindle de Literatura), Poeira: demônios e maldições (romance, 2010), A oficina do escritor (ensaios, 2008), Algum lugar em parte alguma (contos, 2006), A maldição do macho (romance, 2002) e Subsolo infinito (romance, 2000 e 2016). Em 2001 organizou a antologia Geração 90: manuscritos de computador e em 2003, Geração 90: os transgressores, com os melhores ficcionistas brasileiros surgidos no final do século 20. Em 2011 organizou a antologia Geração Zero Zero: fricções em rede, com os melhores ficcionistas brasileiros surgidos na primeira década do século 21. Mais recentemente organizou duas antologias temáticas: Fractais tropicais (2018), com o melhor da ficção futurista brasileira, e Mundo-vertigem (2020), com o melhor da ficção fantástica brasileira contemporânea. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (duas vezes: em 1995 e 2011), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), o da APCA (duas vezes: em 2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Há quinze anos criou o alter ego Luiz Bras, que também já publicou diversos livros, entre eles Distrito federal (rapsódia, 2014), Sozinho no deserto extremo (romance, 2012), Muitas peles (crônicas, 2011), Paraíso líquido (contos, 2010), Sonho, sombras e super-heróis (romance juvenil, 2011) e Babel Hotel (romance juvenil, 2009). Colaborou com as principais publicações brasileiras (Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, revista Cult, revista Bravo!), resenhando lançamentos do mercado editorial. Há dezoito anos mantém uma página mensal no jornal Rascunho, de Curitiba, intitulada Simetrias Dissonantes (http://rascunho.com.br). Em 2013 foi um dos setenta escritores da delegação brasileira que participou da Feira do Livro de Frankfurt. Foi um dos coordenadores do curso de pós-graduação lato sensu Prática de Criação Literária, da Universidade Cruzeiro do Sul e do Espaço Cultural Terracota. Há vinte e um anos coordena, em várias instituições, oficinas, laboratórios e ateliês de criação literária para escritores com obra ainda em formação. As oficinas, os laboratórios e os ateliês mais recentes aconteceram na Casa Mário de Andrade, na Casa das Rosas, na pós-graduação da Faap, no Club Athletico Paulistano e no Esporte Clube Pinheiros, na Livraria da Vila, no Espaço Cultural Terracota, no Centro Cultural barco, no espaço Colmeia e na editora Ofício das Palavras, todos em São Paulo; nos Sescs Belenzinho, Pinheiros e Santo André (SP), Florianópolis e Joinville (SC), Cuiabá (MA) e Recife (PE); na Fundação Cultural Cassiano Ricardo (São José dos Campos), na Fundação Cultural de Curitiba (PR), na Estação das Letras (RJ) e na Fundação Cultural do Estado da Bahia (BA). Atualmente coordena duas oficinas online (via Zoom): Escrevendo o futuro, sobre ficção futurista, e Escrita-vertigem: a odisseia do romance, em parceria com o escritor Marne Lucio Guedes.






Ramiro Giroldo - Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Atua na graduação e na pós-graduação e ministra disciplinas ligadas à literatura, ao roteiro audiovisual e à escrita criativa. Mestre em Estudos de Linguagens pela mesma instituição e doutor em Literatura pela Universidade de São Paulo (USP), dedica-se a investigar a utopia, a ficção científica e as representações artísticas da violência e do horror. Também atua como produtor e roteirista audiovisual, junto à Astaroth Produções. Autor de diversos ensaios publicados em revistas acadêmicas, publicou em 2013 o livro Ditadura do Prazer: sobre ficção científica e utopia (Editora da UFMS). Além de sua dissertação de mestrado, também escreveu sobre André Carneiro em vários ensaios teórico-críticos.





Roberto Causo - Bacharel em Letras e Doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, ambos pela Universidade de São Paulo, Roberto Causo é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (1999), A Sombra dos Homens (2004) e Shiroma, Matadora Ciborgue, e dos romances A Corrida do Rinoceronte (2006), Anjo de Dor (2009), Glória Sombria (2013), Mistério de Deus (2017) e Mestre das Marés (2018), e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (Editora UFMG, 2003). Seus contos, mais de 90, foram publicados em revistas e livros de doze países. Foi um dos três classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro (1991), da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2000); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 (da USP e do Grupo Abril) em 2001 com O Par: Uma Novela Amazônica, publicada em 2008. Completando um trio de novelas de ficção científica ambientadas na Amazônia, Selva Brasil foi lançado em 2010. Causo apareceu em duas antologias representativas da FC latino-americana, publicadas em Cuba e na Espanha. Escreveu para o Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo, Rascunho, o Jornal de Literatura do Brasil, e para a Gazeta Mercantil, e para as revistas Extrapolation, Science Fiction Studies, Crop (da FFLCH/USP), Cult, Ciência Hoje, Palavra e Dragão Brasil. Seus ensaios acadêmicos apareceram em livros como Volta ao Mundo da Ficção Científica (UFMS, 2007), New Boundaries in Political Science Fiction (The University of South Carolina Press, 2008), Reading Science Fiction (Palgrave Mcmillan, 2009) e Cartografias para a Ficção Científica Mundial (Unicamp, 2019). Faz parte dos conselhos editoriais das revistas acadêmicas destinadas à FC e fantasia Zanzalá e Alambique, da University of South Florida.

 

domingo, 8 de maio de 2022

Hoje acontece a abertura de exposições sobre a obra de André Carneiro.

Hoje, domingo, dia 08 de maio, às 16 horas, dando continuidade a 9ª Semana André Carneiro - Edição Comemorativa serão inauguradas quatro pequenas exposições no Centro Cultural que leva seu nome. A primeira é “Tentativa” - onde estarão expostas as treze edições originais do jornal literário “Tentativa”, produzida em Atibaia por André Carneiro, Dulce Carneiro e César Mêmolo Jr. entre 1949 e 1950. O jornal é um legítimo representante da chamada “Geração Modernista de 45”. Assinam matérias exclusivas autores como Oswald de Andrade, Graciliano Ramos, Domingos Carvalho da Silva, Lorival Gomes Machado, Cassiano Nunes, Sérgio Millet,  Murilo Mendes, Otto Maria Carpeaux, José Lins do Rego, Vinícius de Moraes, Henriqueta Lisboa, Lêdo Ivo, Emílio Moura, Lygia Fagundes Teles, Autran Dourado, José Paulo Paes, Décio Pignatari e muitos outros. O logotipo foi desenhado pelo pintor Aldemir Martins. A segunda nomeamos “A arte fotográfica de André Carneiro”. São fotos que integram o livro “Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas” onde André revela situações por trás das fotos, além de causos e histórias sobre o tema. Em muitas delas Atibaia é cenário e antigos moradores os protagonistas. Teremos também algumas imagens do livro “André Carneiro Fotografias”, lançado com exclusividade na 3ª Semana, em 2016. O artista figura entre os precursores da Fotografia Moderna no Brasil, ao lado de fotógrafos brasileiros consagrados como Thomas Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, Madalena Schwartz e José Yalenti, entre outros. Esses nomes foram escolhidos por uma pesquisa internacional que selecionou 24 fotógrafos considerados pioneiros na arte fotográfica modernista no Brasil, com destaque para a foto Trilhos, de 1951. Essa foto fica em exibição permanente no Tate Gallery, em Londres. “André Capista” é a terceira exposição e revela uma facetas pouco conhecida do multiartista que é sua incursão pelo mundo das artes gráficas. A partir de 1970 seu talento nessa área ressurge, ao participar com mais onze escritores da fundação da “Editora do Escritor”, iniciativa de Benedito Luz e Silva, um jovem escritor paulista que na época cansou-se de bater às portas das grandes e pequenas editoras para publicar seus livros, criando a "Editora do Escritor", uma iniciativa independente e fora dos esquemas mercadológicos, publicando importantes livros, principalmente de autores jovens na época. Grande parte dos livros desta editora foi realizada por André Carneiro. Por fim teremos “André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística” que irá reunir o resultado das oficinas de fotografia e literatura realizadas com adolescentes no primeiro dia da programação.  A intenção é mostrar a releitura das novas gerações sobre a obra do homenageado. A orientação das oficinas foram da escritora Juliana Gobbe e da fotógrafa Alline Nakamura. Na abertura estaremos promovendo o evento “Exposição Comentada”, que propõe um bate papo sobre o material exposto. As exposições “A arte fotográfica de André Carneiro” e “André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística” será conduzida pela fotógrafa Alline Nakamura e a escritora Juliana Gobbe. As exposições “Tentativa” e “André Capista” pelo curador Márcio Zago. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Agende e participe!


sábado, 7 de maio de 2022

Na 9a Semana André Carneiro a exibição de um filme raro...



Hoje, sábado, dia 07 de maio, a programação da 9ª Semana André Carneiro tem continuidade com a exibição do filme “Alguém”, de 1982. O filme tem o roteiro baseado no conto “O Mudo”, de André Carneiro. O filme se passa na década de 1950, no interior de São Paulo, quando Maria, (vivida por Myrian Rios) conhece um misterioso surdo-mudo (Nuno Leal Maia), empregado da fazenda de seu pai. Vivendo isolado em um abrigo em meio à mata, o rapaz, sequer tinha nome, mas possuía o dom de fazer crescer todos os vegetais e frutos com seu toque. Aos poucos, Maria faz amizade com o estranho rapaz e cresce entre eles um amor inocente, mas a família da moça é contra um relacionamento entre os dois. O longa-metragem, com direção de Julio Xavier, teve a produção da Lynxfilm, empresa cinematográfica criada por Cesar Mêmolo Junior. Cesar fez parte de um grupo de artistas e intelectuais que na década de 50 produziu inúmeras ações em Atibaia, destacando sua participação ativa no jornal literário “Tentativa”, ao lado de André Carneiro e sua irmã Dulce. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Participe!

9ª Semana André Carneiro

Exibição do filme “Alguém”, de Julio Xavier 

Sábado - 20 horas - Cine Itá Cultural


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Hoje começa a 9ª Semana André Carneiro




Logo mais, às 20 horas, no Cine Itá acontecerá à abertura oficial da 9ª edição da Semana André Carneiro. Este ano será especial em razão das comemorações do centenário de nascimento do homenageado, que coincide com o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. Participe da programação do evento e saiba o que estes dois acontecimentos tem em comum. Na ocasião será inaugurada a exposição “O Modernismo em Atibaia”, que reproduz o ambiente estético das duas exposições de arte moderna que ocorreram em Atibaia em 1950 e 1955, quando a cidade recebeu obras originais de Anita Malfati, Di Cavalcanti, Sergio Milliet, Aldemir Martins, Aldo Bonadei, Cícero Dias, Flávio de Carvalho, Flexor, Maria Leontina, Milton Dacosta, Quirino da Silva, Walter Lewy, Oswald Andrade Filho, Guinard, Lothar Charoux, Franz Weissmann, Geraldo de Barros, Lívio Abramo, João Luiz Chaves,  Carlos Scliar, Oswaldo Goeldi, Athos Bulcão entre outros. 








Será lançado também o oitavo número dos “Cadernos da Semana”, que tem como objetivo materializar os assuntos abordados em cada evento. Este número será dedicado à influência do movimento modernista na formação cultural do município e a importância do homenageado neste contexto. Outro tema que será abordado na abertura do evento é o lançamento simbólico do primeiro “Prêmio Semana André Carneiro de Literatura” que pretende, através de concurso, envolver os escritores regionais no evento. Esta é uma reivindicação antiga dos organizadores que acreditam ser este recurso fundamental para a continuidade da Semana. Por fim teremos a apresentação musical, mesclada com poemas, onde a temática será a obra de André Carneiro. Quem sobe no palco é a cantora Tiane Tessaroto, acompanhada por Eliezer Guilherme no violão e recital de poemas do homenageado com Juliana Goobe. Participe!



quarta-feira, 4 de maio de 2022

Oficina de fotografia e de literatura na 9ª Semana André Carneiro

Antecedendo a abertura oficial da 9ª Semana André Carneiro, acontece nesta quinta feira, dia 05 de maio, quatro oficinas distribuídas nos períodos da manhã e da tarde. Duas oficinas fotográficas terão a orientação da fotógrafa Alline Nakamura, tendo como ponto de partida as fotos de André Carneiro. Os conceitos básicos de fotografia serão trabalhados com celular através de caminhada fotográfica nos arredores do local onde ocorrerá a atividade. A parte literária será ministrada pela escritora Juliana Gobbe, que realizará duas “oficinas poema-objeto” aproximando os participantes da obra do homenageado a partir do livro “EspaçoPleno”. A proposta é a produção de objetos expressivos. Estes materiais, além das fotos resultantes das oficinas de fotografia, irão compor a exposição “André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística” que ficará no Centro Cultural André Carneiro. As oficina são voltados para os jovens e acontecerão na Estação Sesi - Atibaia. Todas as vagas foram preenchidas pelos participantes do Senac. 



Alline Nakamura - Artista visual e professora. Vive e trabalha em Atibaia/SP. Doutoranda e mestra em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo. Em 2014 publicou seu livro De longe, de perto, com o apoio do ProAC. É integrante do Clube Atibaiense de Fotografia desde 2005. Realizou três oficinas culturais/videoaulas entre 2020 e 2021, amparados pela Lei Aldir Blanc, via COMPOCAT - Conselho Municipal de Políticas Culturais e Secretaria de Cultura de Atibaia. Ministrou caminhadas fotográficas nas cidades de Atibaia, Mococa e Pilar do Sul/SP. Atualmente, coordena o projeto de exposições fotográficas Vistas de lá e cá, atualmente em exposição no Cine Itá, em Atibaia, de 4 de junho a 14 de julho de 2021 (via Proac Lab/Aldir Blanc). Vistas de lá e cá vai itinerar para Lins-SP no segundo semestre). Realizou três exposições individuais: Em obras, do projeto Vistas de lá e cá (exposição visual aberta ao público até 05 de agosto de 2021), com desenho curatorial feito pela artista, no Centro de Convenções e Eventos Victor Brecheret, Atibaia/SP; Transluzires (2011), com curadoria de Stênio Soares, na Galeria de Arte Archidy Picado, João Pessoa/PB; e o Projeto Mezanino de Fotografia (2004), com curadoria de Tadeu Chiarelli, no Itaú Cultural, São Paulo/SP. Entre as coletivas, participou das mostras Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos - Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, em BelémPA (2020); O V O Grupo Têmpera Convida, no Casa Cultural Villa Ritinha, em Recife (2019-2020); EXISTIRESITIR – Floripa na Foto (2019), em Florianópolis/SC; Olhar Incomum: Japão Revisitado no MON (2016), em Curitiba/PR; 13 Fotógrafas: o olhar feminino na Incubadora de Artistas (2014), na Incubadora de Artistas, em Atibaia/SP; VC MOSTRA SP (2013), na 4ª Mostra Samsung, em São Paulo/SP; Projeção Noturna - Portfólio em Foco (2012), no 8º Paraty em Foco, em Paraty/RJ; 6º Salão de Artes Plásticas de Suzano (2010), em Suzano/SP; 7º Festival Internacional da Imagem Fotográfica, em Atibaia/SP, onde recebeu prêmio aquisição; e Povos de São Paulo (2004) na Galeria Olido, em São Paulo/SP. 


Juliana Gobbe é doutoranda em Filosofia e História da Educação pela Unicamp. Como articulista cultural fundou em 2009 na cidade de Atibaia o Coletivo Abraço Cultural cujo objetivo centra-se no trabalho com a arte em suas mais diversas manifestações. Como escritora lançou em 2012 o livro de poesias Óculos de Marfim com poesias épicas em homenagem aos trabalhadores da construção civil. Em 2013 lançou o blogue Tecendo em Reverso que traz como proposta entrevistas com intelectuais e pesquisadores brasileiros. Em sua atuação por sete anos na rede pública de ensino, desenvolveu Fóruns de Leitura com o objetivo de fomentar o gosto pela literatura em crianças e jovens. Dentre suas atividades também estão dois documentários: HISTEDBR 30 anos,Estes pés têm raízes e a nanometragem: Brecht - No caminho da pedra 1. No ano de 2018 atuou como pesquisadora no International Institute of Social History em Amsterdã na Holanda. Atualmente coordena as atividades do coletivo literário Kalúnia.

sábado, 30 de abril de 2022

Programação da 9a Semana André Carneiro - Edição comemorativa

Quinta-feira, dia 05 de maio de 2022

Oficina de fotografia com a fotógrafa Alline Nakamura - Tendo como ponto de partida as fotos de André Carneiro, os conceitos básicos da fotografia serão trabalhados com celular através de caminhada fotográfica nos arredores do local onde ocorrerá a atividade. Oficina de literatura com a escritora Juliana Gobbe - A proposta é aproximar os participantes com a obra do homenageado a partir do livro EspaçoPleno, e a partir daí construir poemas/objetos.

Os materiais produzidos irão compor a exposição André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística que será montada no Centro Cultural André Carneiro. 

Sexta, dia 06 de maio de 2022 - Abertura oficial

Local: Cine Itá - Horário 20 horas

Apresentação musical com Tiane Tessarolo, acompanhada do violão e guitarra de Eliezer Guilherme, e recital de poemas do homenageado na interpretação de Juliana Gobbe.

Inauguração da Exposição O Modernismo em Atibaia - A exposição recria o universo estético da exposição modernista que ocorreu em Atibaia em 1950 e 1955, no Clube Recreativo Atibaiano e no saguão do Cine Itá respectivamente. A exposição reuniu originais dos mais destacados expoentes do modernismo nas artes plásticas nacionais.

Lançamento do Prêmio Semana André Carneiro de Literatura - Este primeiro Prêmio será oficialmente lançado neste dia e durante o transcorrer do ano serão realizados regulamento, divulgação do evento e seleção dos participantes, etc. A premiação será no ano seguinte, na abertura da 10a edição, em 2023. Esta ação contará com o apoio do Coletivo Kalúnia.

Lançamento do Caderno da Semana edição especial - Em sua oitava edição, o Caderno da Semana irá abordar a influencia dos modernistas na formação cultural do município através das ações realizadas em 1950 e 1955 em Atibaia. Trará também um artigo sobre a obra gráfica do homenageado presente nas inúmeras capas de livro que realizou ao longo da vida. 

Sábado, dia 07 de maio de 2022  - Local: Cine Itá - Horário 20 horas

Exibição do longa-metragem Alguém baseado no conto “O Mudo”, de André Carneiro. Direção: Júlio Silveira, com Nuno Leal Maia, Myrian Rios, Ewerton de Castro. Produção César Mêmolo (LYNXFILM). Mmúsica: Théu de Barros. No final da apresentação um bate papo sobre a obra.

Domingo, dia 08 de maio de 2022 - Local: Centro Cultural André Carneiro - Horário 16 horas

Serão inauguradas quatro pequenas exposições:

Tentativa - Serão expostas as treze edições originais do jornal literário “Tentativa”, produzida em Atibaia por André Carneiro, Dulce Carneiro e César Mêmolo Jr. entre 1949 e 1950. O jornal é um legítimo representante da chamada “Geração Modernista de 45”.

A arte fotográfica de André Carneiro - As fotos presentes estão no livro “Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas” onde André revela situações por trás das fotos, além de causos e histórias sobre o tema. Em muitas delas Atibaia é cenário e antigos moradores os protagonistas. Teremos também algumas imagens do livro “André Carneiro Fotografias”. André Carneiro figura entre os precursores da Fotografia Moderna no Brasil, ao lado de fotógrafos brasileiros consagrados

André Capista - Uma das facetas menos conhecida do multiartista André Carneiro é sua incursão pelo mundo das artes gráficas. A exposição traz inúmeras capas produzidas pelo artista ao longo da vida.

André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística - Reúne o resultado das oficinas de fotografia e literatura ocorridas no inicio da programação.

Na abertura estaremos promovendo o evento Exposição Comentada, que propõe um bate papo sobre o material exposto. As exposições “A arte fotográfica de André Carneiro” e “André Carneiro e os Oficinandos - Releitura Artística” será conduzida pela fotógrafa Alline Nakamura e a escritora Juliana Gobbe. As exposições “Tentativa” e “André Capista” pelo curador Márcio Zago.

Segunda e terça, dias 09 e 10 de maio de 2022

Evento on line com acesso na página página do youtube do Garatuja - Horário 20 horas.

Live com escritores sobre a obra literária do homenageado, onde serão abordados, tanto o obra de ficção, como poética do artista. A mediação será de Nelson de Oliveira, com a participação do editor Silvio Alexandre, dos escritores Osvaldo Duarte, Roberto Causo e Ramiro Giroldo.

Quarta, dia 11 de maio de 2022 

Evento on line com acesso na página na página do Youtube do Garatuja - Horário: 20 horas.

Com o tema O ato de criação cine fotográfico de André Carneiro, as professoras Josette Monzani e Ana Luiza Gambardella farão uma reflexão sobre a produção artística do homenageado nas áreas de cinema e fotografia. Josette Alves de Souza Monzani é professora do Programa de Pós Graduação em Imagem e Som da Ufscar. Mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC, SP, com pós-doutorado em Cinema pela ECA, USP. Pesquisa processos de criação e transcriação cinematográficos.

Quinta, dia 12 de maio de 2022 - Local: Auditório da FAAT - Horário: 20 horas

Com o título "André Carneiro, Parapsicólogo e Hipnotizador" o psicoterapeuta Paulo Urban fará uma palestra sobre o tema para estudantes universitários da área.

Sexta, dia 13 de maio de 2022 - Local: Centro Cultural André Carneiro - Horário 20 horas

Fechando a programação teremos mais um evento da série Depoimentos, onde a ideia é reunir pessoas que conheceram ou que tenham histórias a respeito de André Carneiro visando o registro da conversa para permanecer como arquivo.

Os painéis do ExpoRua, produzidas em 2014 ficaram expostos na frente do Centro Cultural André Carneiro durante todo o evento.

A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja com curadoria de Márcio Zago. Agende e participe!


segunda-feira, 28 de março de 2022

O Modernismo em Atibaia























De 06 a 12 de maio acontece a 9ª Semana André Carneiro. Este ano será especial, onde iremos comemorar o centenário de nascimento do homenageado, e também o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. Pouco conhecido na cidade, o Modernismo integrou a formação da identidade cultural do município através de varias ações desenvolvida por André Carneiro nas décadas de quarenta e cinquenta, daí o tema desta edição: O Modernismo em Atibaia. Na programação do evento o dialogo entre os dois acontecimentos. A Semana começa na sexta feira, dia 06 de maio no Cine Itá, com apresentação da cantora Tiane Tessaroto, acompanhada pelo violão de Eliezer Guilherme e a leitura de poemas do homenageado com o escritor Carlos Alberto Pessoas Rosa. Ocasião em que será inaugurada a Exposição “O Modernismo em Atibaia”, que reconstitui as duas exposições de arte moderna que aconteceram em Atibaia nos anos de 1950 e 1955 reunindo os maiores expoentes do modernismo brasileiro como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Sergio Milliet, Aldemir Martins, Aldo Bonadei, Cícero Dias, Flávio de Carvalho, Flexor, Maria Leontina, Milton Dacosta, Quirino da Silva, Walter Lewy, Oswald Andrade Filho, Guinard, Lothar Charoux, Franz Weissmann, Geraldo de Barros, Lívio Abramo, João Luiz Chaves,  Carlos Scliar, Oswaldo Goeldi, Athos Bulcão além do próprio André Carneiro e Dulce Carneiro. Será lançado ainda o Primeiro Prêmio Semana André Carneiro de Literatura, além de mais uma edição dos “Cadernos da Semana”. A programação segue nos próximos dias com lives com escritores, exibições de filmes do homenageado (seguido de debate), poesia comentada, abertura das exposições “André Carneiro Capista” e “A fotografia de André Carneiro” e “Tentativa”, no Centro Cultural A.C. A programação continua com bate papo na sessão “Registro”, palestra, etc. Antecedendo a Semana teremos as oficinas de fotografia e literatura para estudantes de escolas públicas ministradas pela fotógrafa Aline Nakamura e pela escritora Juliana Goobe. Esta edição será hibrida com eventos on line e outros presenciais, mas de forma segura, dentro dos protocolos sanitários que a situação exige. A realização é da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia, do Coletivo André Carneiro e do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Agende e participe!


quinta-feira, 24 de março de 2022

André Carneiro e sua obra literária – lives com escritores


















Na programação da 9ª Semana André Carneiro - Edição Comemorativa acontecem nos dias 9 e 10 de maio duas lives sobre a obra literária do homenageado. A mediação será do escritor Nelson do Oliveira, autor de mais de vinte livros, entre eles Gigante pela própria natureza, finalista do Prêmio Kindle de Literatura, Poeira: demônios e maldições, A oficina do escritor, Algum lugar em parte alguma, A maldição do macho e Subsolo infinito. Nelson de Oliveira colaborou com as principais publicações brasileiras (Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, revista Cult, revista Bravo!), resenhando lançamentos do mercado editorial. Em 2013 foi um dos setenta escritores da delegação brasileira que participou da Feira do Livro de Frankfurt. As oficinas, os laboratórios e os ateliês mais recentes que realizou aconteceram na Casa Mário de Andrade, na Casa das Rosas, na pós-graduação da Faap, no Club Athletico Paulistano e no Esporte Clube Pinheiros, na Livraria da Vila, no Espaço Cultural Terracota, no Centro Cultural barco, no espaço Colmeia e na editora Ofício das Palavras, todos em São Paulo; nos Sescs Belenzinho, Pinheiros e Santo André (SP), Florianópolis e Joinville (SC), Cuiabá (MA) e Recife (PE); na Fundação Cultural Cassiano Ricardo (São José dos Campos), na Fundação Cultural de Curitiba (PR), na Estação das Letras (RJ) e na Fundação Cultural do Estado da Bahia (BA). Para este evento está confirmado a presença de Roberto Causo, Ramiro Giroldo, Silvio Alexandre e Osvaldo Duarte. A “live” terá entre uma hora à uma hora e meia de duração e será transmitido pela página do facebook da Semana André Carneiro
A gravação ficará na página do blog da Semana André Carneiro que poderá ser acessada aqui.

9ª Semana André Carneiro - Edição Especial Centenário de Nascimento 
Tema: O Modernismo em Atibaia 
De 06 a 12 de maio de 2022 
Locais Cine Itá e Centro Cultural André Carneiro 
Realização: Secretaria de Cultura da Prefeitura da Estância de Atibaia 
Coletivo André Carneiro 
Instituto de Arte e Cultura Garatuja

Agende e participe!

segunda-feira, 14 de março de 2022

Coletivo André Carneiro

 







Entramos nos preparativos da 9ª Edição da Semana André Carneiro. Este ano retomamos a parceria com a Prefeitura de Atibaia, através da prestativa participação da Secretaria de Cultura, na pessoa da Secretária Glória Dinniz e do Assessor Adilson Cunha. Nas duas edições anteriores o evento ocorreu de forma virtual, em razão da pandemia. Este ano será hibrido com eventos on line e outros presenciais, mas de forma segura, dentro dos protocolos sanitários que a situação exige. Será um ano especial, onde iremos comemorar o centenário de nascimento do homenageado, e também o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. O tema dessa nona edição será a ligação existente entre os dois eventos. O Modernismo integrou a formação da identidade cultural do município através de varias ações desenvolvidas por André Carneiro nas décadas de quarenta e cinquenta. Em breve daremos o detalhamento da programação que estamos preparando. Desta vez o evento será realizado pelo Coletivo André Carneiro, organização criada em anos anteriores que se propõe a organizar os eventos seguintes. Compõe o coletivo o criador e curador do evento, Márcio Zago, o ex-Prefeito e escritor Gilberto Sant’Anna, a jornalista e editora Araceles Stamatil, o médico e escritor Carlos Alberto Pessoa Rosa,  o editor Silvio Alexandre, a escritora Juliana Goobe, a fotógrafa Aline Nakamura, a produtora sonora Deborah Izola e o músico Mauricio Carneiro, filho do homenageado. 

9ª Semana André Carneiro – edição especial: de 5 a 12 de maio de 2022

Locais: Cine Itá e Centro Cultural André Carneiro

Realização: Secretaria de Cultura da Estância de Atibaia, Coletivo André Carneiro e Instituto de Arte e Cultura Garatuja. 

sexta-feira, 4 de março de 2022

Dulce e André Carneiro - percursos em fotos

Por Alline Nakamura

André e Dulce Carneiro fizeram muitas ações, independentemente e juntos. Tanta coisa boa, em diferentes áreas, em especial as das artes. Essa fraternidade, familiar, afetiva e criativa, foi profícua para o cenário cultural brasileiro das décadas de 1940 e seguintes.

Refletir sobre estes irmãos arrojados é como tecer numa colcha de retalhos bem estruturada que não tem fim. De tecidos com diferentes cores, texturas e dimensões, alinhavados pelos pesquisadores e entusiastas, dos acadêmicos aos independentes. Dos filhos e sobrinhos destes ícones. De amigos, amigas e de quem conviveu com eles, dentro e fora de Atibaia. Escritos, relatos, documentos, publicações, imagens e muitas histórias.

Assim, para fazer um estudo mais profundo, é necessário um tempo maior, dada a abrangência em diversas linguagens artísticas desses dois artistas nascidos em Atibaia. De seus universos expandidos e vibrantes, para além de Atibaia. De suas importantes trajetórias, para além do que foi, do aqui-agora. De seus espaços-tempos neste mundo: constelares. O blog da Semana André Carneiro – evento cultural que caminha para o seu nono ano, sob coordenação do artista Márcio Zago, conta com diversos colaboradores e apoio da Secretaria de Cultura de Atibaia – é um espaço onde encontram-se em seus arquivos várias pesquisas, textos e imagens. Vale muito a pena navegar por ele.

Este é um recorte reflexivo, pontual e subjetivo, que partiu de fotografias feitas por André e Dulce. Faísca de passados que perduram no papel (com a possibilidade, via livros e arquivos, de serem digitalizadas e reproduzidas para as próximas gerações). E de um campo de meu interesse, as caminhadas urbanas. Falo de um ponto de vista de fotógrafa-artista-caminhante.

A face do povo, Sombras na ponte e Moça Caminhando

André Carneiro (1922-2014) fotografava diversos assuntos, entre eles, as procissões religiosas em Atibaia. 

A face do povo, cerca de 1960. Fotografia de André Carneiro.


























Trago aqui uma imagem, A face do povo, da década de 60, que é como se eu estivesse lá. Reconheço qual é a parte da rua que ele esteve aqui em Atibaia. Sinto-me no meio da multidão, ainda que seja pela fotografia. Reconheço-me como fotógrafa e como um pedacinho do povo que caminha. Pensei o quanto isso é transcendental e o poder da imagem de trazer à memória um tempo não vivido como se fosse hoje. 

Indago-me se as manifestações populares na rua, sobretudo às de 2021 contra o atual (des)governo federal não podem ser procissões pela vida. Em que todo(a)(e)s possam estar juntos, com esperança e fé. 
Em meio às guerras, um povo caminha pela sua sobrevivência, para ultrapassar fronteiras e ter uma perspectiva com mais possibilidades de seguir adiante, com dignidade e força.
Fé no pé, acredito que alguém já disse isso. Fé na vida e em dias melhores.

Sombras na ponte, 1951. Fotografia de André Carneiro.
























E dias melhores vêm com ânimo no coração, ainda que ele, este ânimo, esteja em um cantinho, esperando crescer... Cada passo é um movimento de sua presença. 
Pensei como a alegria em caminhadas banais (nada é banal, no fundo) e cotidianas, pela obra Sombras na ponte (1951), é importante nesse atravessamento do mundo. A sombra também é o duplo desse deslocamento. A sombra existe, ainda que seja ínfima sua duração. Assim como o pisar na grama, pisar no asfalto, pisar no mundo. O indício de alegria é a alegria em si, pois as sombras vêm de corpos animados – de sentimento e de vida.

Pelo posicionamento e pose corporal, do clique com a câmera fotográfica, a primeira pessoa-sombra, da esquerda para direita, é o André Carneiro. Brincar com a sombra, dançar, estar acima de um espaço para ver um horizonte mais distante... Pode ser que nem tenha sido a intenção... Muitas vezes, pode ser a visão do duplo lá embaixo que atraiu a atenção de André Carneiro. Será que foi uma cena coreografada? Ela é simples, leve e divertida.

Nos cruzamentos das diagonais, que trazem dinamismo e ritmo para a cena, acentuados pelos pequenos concretos brancos, linhas sutis e luminosas gradações monocromáticas, multiplica-se a existência perene pelas penumbras em um ambiente duro.

Moça caminhando, 1952. Fotografia de André Carneiro.
























É dele também a fotografia Moça Caminhando (1952). 
Nesse caso, é a sua irmã, Dulce Carneiro. 
De acordo com Rubens Fernando Filho, pesquisador e professor, Dulce era de espírito jovial, gentil, amável, clássica e elegante. Densa, imprevisível e radical, entre outros adjetivos. Nesta foto, ela “quase que flutua entre as nuvens”. Ela, muitas vezes, foi modelo para as fotos de seu irmão e dos companheiros do Foto Cine Clube Bandeirante. 

Mais do que isso, ela foi fotógrafa, jornalista, editora e poeta (uso aqui o termo de Juliana Gobbe, refutando também o termo poetisa). Para Juliana Gobbe, pesquisadora e poeta: “A obra de Dulce é realmente imagética. Constata-se em suas poesias presentes no Tentativa. A primeira delas: Música, na tarde e na noite trança os sons de Debussy e Ravel num mar fluído de fotos do cotidiano”. Gobbe diz que Dulce Carneiro “declara em vídeo que fotografia e poesia andam juntas”. 

Para Rubens Fernando Filho, pode-se dizer, com “alguma certeza”, que Dulce Carneiro, “nas décadas de 50, 60 e 70, foi a primeira fotógrafa a romper com a hegemonia masculina que existia no meio fotográfico brasileiro”. Um dado importante de ser salientado. Ela foi fotógrafa corporativa, trabalhando para diversas empresas (privadas, estatais e indústrias). Prestou seus serviços para grandes agências de publicidade e para o arquiteto Oscar Niemeyer. Poesia, liberdade, rigor técnico e excelência eram norteadores de seus trabalhos.

Em sintonia com esse pensamento, em maio de 1982, houve um evento no Museu da Imagem e do Som, A mulher na fotografia, com Stefania Bril, Vania Toledo, Nair Benedicto, Claudia Andujar e Dulce Carneiro, nomes contundentes na fotografia brasileira. Na mesa redonda, de acordo com Ricardo Mendes, Dulce foi a única a trazer como referência teórica Simone de Beauvoir, autora de O segundo sexo, avançando para o debate “extramuros”. E Dulce se “recusa a se submeter ao rótulo da mulher fotógrafa e à participação em eventos sob tal recorte”.

Dulce, mais do que uma moça: uma mulher caminhando.

Após esta breve contextualização de quem foi Dulce Carneiro, retomo aqui algumas questões instigadas pela fotografia de André Carneiro. 
Uma mulher que anda sozinha é, em si, um ato corajoso e de resistência, sobretudo na década de 1950. Ainda hoje o é. O espaço urbano é para todos, todas e todes. Entretanto, na prática: quando poderemos caminhar sozinhas sem nos preocuparmos com quem está atrás de nós? À noite, é possível deslocar-se sem receios? 

“De acordo com uma enquete, dois terços das mulheres norte-americanas têm medo de andar sozinhas por seus próprios bairros à noite, e uma outra informa que metade das mulheres britânicas tinham medo de sair sozinha depois de escurecer e quarenta por cento se ‘preocupavam muito’ com a possibilidade de serem estupradas”, diz Rebbeca Solnit em seu livro, A história do caminhar, na página 399.
No Brasil, em reportagem de Heloisa Cristaldo para a Agência Brasil, em 20 de maio de 2016, segundo a organização internacional de combate à pobreza ActionAid, 86% das mulheres foram assediadas em público em suas cidades. E “as mulheres também foram questionadas sobre em quais situações elas sentiram mais medo de serem assediadas. 70% responderam que ao andar pelas ruas; 69%, ao sair ou chegar em casa depois que escurece e 68% no transporte público”. 

O espaço urbano carrega suas singelezas, afetos, grandes momentos, belezas, durezas, cadências e hostilidades. Para muitas pessoas, o ato de caminhar requer estratégia, espírito de luta e bravura, em deslocamentos diários como para ir trabalhar e estudar. Porque nem sempre o cotidiano é tranquilo, seguro e de curta duração entre os trajetos. Seja no interior ou nas áreas capitais. O importante é ocuparmos os espaços, em qualquer tempo e hora. Que ninguém tenha medo de se locomover ao se locomover. Seja o bairro, a cidade e o país em que estiver. Uma utopia possível? Um dia, quem sabe? 

Passo certo e Amanhã
Passo certo, sem data. Fotografia de Dulce Carneiro.
Comodato MASP-Foto Cine Clube Bandeirante.
















Em Passo certo, o foco de atenção está nos pés em deslocamento na diagonal. Os tons escuros da roupa trazem mais peso para os passos. No firme deslocamento do caminhante em diálogo com as sólidas formas geométricas do chão, vistas de uma perspectiva levemente de cima para baixo, o nosso campo de visão da cena se expande. Há uma leve marcação no chão, rarefeita, em que se cruzam as finas linhas que levam o olhar ao local onde situa-se a pessoa, supostamente um homem. Uma dessas linhas vem ao encontro à extremidade final do lado inferior direito do papel fotográfico. Este é o caminho a ser traçado? A intuição imagética leva-nos a crer que sim, como se fosse o desenrolar desta história. Mas no fim, não há como prever o que aconteceu. A fotografia nos dá uma pista. Uma narrativa desenrola-se neste fragmento de instante. 
Um filme é formado por vários frames. Várias fotografias. Em torno de 24 a 36 instantes.
E uma história pode caber em um único frame. Uma só imagem. Imaginada por cada pessoa que vê a fotografia.
Já em Amanhã, num ambiente concreto, pergunto-me o que a menina, de pés descalços – em contato direto com o mundo – vê nas sombras, seus limites com a área iluminada desenhada com precisão? Não há uma resposta. E precisa?
Essa sombra se esmaece, mescla-se com linhas de penumbra suave, possivelmente de alguma árvore ou vegetação, pela passagem de luz em formas que permitem seu fluxo tranquilo, em um movimento circular que percorre toda a imagem. São os limites do muro. As duras arestas transformam-se em movimento e suavidade. O vestido da menina acompanha a cena.
A menina olha. Pensa. Seus pés estão estáveis no plano. Ela pode ir para onde quiser. 

Amanhã, cerca de 1957. Fotografia de Dulce Carneiro












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Destruição para construção

De acordo com Pablo Di Giulio, Dulce Carneiro (1929-2018), na década de 1960, pouco antes de se mudar para São Sebastião, litoral norte de São Paulo, vendeu seu apartamento em São Paulo e sua “joia”: a câmera Hasselblad. Por um “desencantamento com a fotografia”, “destruiu todo seu arquivo de fotos, negativos, livros, revistas e publicações”. Por sua própria vontade, Dulce manteve-se reclusa em seu lar em São Sebastião nos últimos anos de vida. 
Que artista, seja qual for sua linguagem de expressão, não teve, em algum momento, vontade de destruir suas obras?

Sumir como as pegadas na areia, como as nuvens após uma ventania...
Penso nessa destruição como parte da obra constituída de uma vida. Uma ação como o fotografar e o caminhar. Uma decisão de desapego, humildade e coragem.
Quando andamos, não há nada além do movimento, o estar no mundo.
Não é a fotografia que atesta a sua existência, o seu caminhar, a sua experiência. Podemos entender a fotografia como um documento que comprova uma ação, sim. Um vestígio. Mas não é garantia de nada. Nem de verdades. 

Ela nos (re)memora. Memória é ação. Ela nos mostra o que houve. E sim, esta imagem pode tornar-se o que há e haverá. Como quando fazemos uma nova foto e sua composição está em mente. 
Quando determinada luz toca sua imaginação ao relembrar de uma cena. 
Quando apenas nos lembramos do que vimos e sentimos. 
O real é também de memória e imaginação. Imaginação, segundo Gaston Bachelard, “nos desliga ao mesmo tempo do passado e da realidade. Aponta para o futuro”. (...) “A imaginação imagina incessantemente e se enriquece de novas imagens”.
O ato em si foi lançado ao dar um passo.
A fotografia, assim, também é um passo. Esteja onde estiver.
Essa é a forma mais simples de estar em movimento, ontem-hoje-amanhã. Vivo. 
Um passo leva a outro. 
O amanhã é agora.
“Os passos são como as nuvens, vêm e vão”, já nos disse Hamish Fulton.
Caminhemos. Passemos. Constelemos.

Referências:

BACHELARD, Gaston. A filosofia do não; O novo espírito científico; A poética do espaço. Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha; traduções de Joaquim Moura Ramos... (et. al.). Série Os pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984. P. 195 e 196.
CARERI, Francesco. Walkscapes: O caminhar como prática estética. Tradução de Frederico Bonaldo. São Paulo: Editora Gustavo Gili., 1. Ed., 2013.
CARNEIRO, Dulce. Tomorrow/Amanhã. Disponível em: < https://www.moma.org/collection/works/297277 >. Acesso em 02 mar 2022.
CARNEIRO, Dulce. Passo certo. Disponível em: < https://masp.org.br/acervo/obra/passo-certo >. Acesso em 02 mar 2022.
CARNEIRO, André. Fotografias achadas, perdidas e construídas/ André Carneiro. Organização e edição de Valdir Rocha. São Paulo: Pantemporâneo, 2009.  
CARNEIRO, Mauricio Soares (org.). André Carneiro: fotografia. Curitiba: Cultural Office, 2016. 
CRISTALDO, Heloisa. Pesquisa mostra que 86% das mulheres brasileiras sofreram assédio em público. Agência Brasil-EBC. 2016. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-05/pesquisa-mostra-que-86-das-mulheres-brasileiras-sofreram-assedio-em> 
DULCE Carneiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa218617/dulce-carneiro. Acesso em: 03 de março de 2022. Verbete da Enciclopédia.
MENDES, Ricardo. Stefania Bril: crítica e ação cultural em fotografias nas décadas de 1970 e 1980. In: COSTA, Helouise (org.); ZERWES, Erika (org.). Mulheres Fotógrafas/Mulheres Fotografadas – Fotografia e gênero na América Latina. 1ª ed. São Paulo: Intermeios, 2020. p. 288 e 289.
GOBBE, Juliana. Dulce Carneiro: mulher e poesia em tempos de guerra. Tentativa (edição comemorativa), Atibaia, maio de 2019. 
GROS. Frédéric. Caminhar: uma filosofia. Tradução de Célia Euvaldo. São Paulo: Ubu Editora, 2021.
SOLNIT, Rebecca. A História do Caminhar. Tradução de Maria do Carmo Zanini. São Paulo: Martins Fontes, 2016.
CONVERSAS UTÓPICAS - Três autores do sexo fraco: Quem foi Dulce Carneiro? Denise Mattar, Rubens Fernandes Junior e Pablo Di Giulio. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=KfKnyAq08lA  >. Acesso em 02 mar 2022.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

O Modernismo em Atibaia

 




















Em 2022 a Semana André Carneiro chega a sua nona edição. Este ano será especial em razão das comemorações do centenário de nascimento do artista homenageado e também do centenário da Semana de Arte Moderna. Dois temas que dialogam com o histórico cultural de Atibaia. Enquanto em fevereiro de 1922, em São Paulo, ocorria no Teatro Municipal uma série de ações que mudariam os rumos da arte no país, meses depois nascia em Atibaia André Carneiro, o maior e mais completo artista local. A grande ruptura ocorrida na arte brasileira, provocado pela Semana de 22, influenciou de maneira decisiva na formação de André Carneiro, que cresceu absorvendo o que havia de mais atual na área artística, embora vivendo numa cidade do interior com pouco mais de 25.000 habitantes.

Com inspiração nas vanguardas europeias, o modernismo no Brasil foi um movimento artístico, cultural e literário caracterizado pela liberdade estética, o nacionalismo e a crítica social em contraponto a arte academia em voga até então. Seu desdobramento perdurou por longo tempo, de 1922 a 1960, podendo ser divididas em três fases, também chamadas de gerações:

Primeira fase modernista de 1922 a 1930 (fase heroica ou de destruição);

Segunda fase modernista, de 1930 a 1945 (fase de consolidação ou geração de 30)

Terceira fase modernista, de 1945 a 1960 (geração de 45).

É nesta última que André Carneiro, o Modernismo e a cidade de Atibaia se convergem. Em seu livro de estreia, Ângulo e Face, André Carneiro recebe a crítica elogiosa de Oswald de Andrade, principal expoente da Semana de 22, que diz ser “a poesia de André Carneiro uma continuidade modelar do Modernismo numa renovada e luminosa expressão”. No mesmo ano (1949) André Carneiro, em conjunto com a irmã Dulce Carneiro e o amigo César Mêmolo Junior, publicam em Atibaia o jornal literário Tentativa. Totalmente produzido na cidade Tentativa reuniu em suas páginas autores já consagrados do modernismo e novos expoentes, com textos inéditos. Mais tarde, tanto sua produção autoral quanto o próprio Tentativa, foram consideradas obras representativas da chamada “gerações de 45”, embora pouco conhecida até mesmo na área acadêmica. 

Essa ligação entre André Carneiro, Atibaia e os principais expoentes do modernismo no Brasil ocorreu em função dele permanecer na cidade enquanto realizava sua produção artística naquele período. Diferente da maioria dos artistas oriundos das pequenas cidades do interior, que abandonam sua terra visando novas oportunidades, André Carneiro ficou e trouxe para Atibaia os artistas dos grandes centros. Artistas que estavam em sintonia com que havia de mais atual. Com isso inseriu a contemporaneidade a pequena e provinciana Atibaia da época, criando familiaridade entre o município e o movimento. Fato inédito para uma cidade do interior. Atibaia passou a ser conhecida e admirada entre os modernistas, mais que isso, graças a influencia de André Carneiro, os artistas passaram a frequentar e conviver de forma bastante próxima com a cultura local, seja realizando palestras, exposições ou publicações voltadas ou inspiradas na paisagem local. Oswald de Andrade chegou a escrever numa de suas crônicas a vontade de morar em Atibaia. Outros fatores também facilitaram essa troca. Uma delas era que Atibaia já vinha de uma tradição turística desde o inicio do século XX. Tradição que ganhou destaque com a construção do Hotel Rosário nos anos trinta, e depois com a Estância Lynce, nos anos quarenta. Empresários de visão como Deoclides Freire e César Mêmolo anteviram a necessidade de divulgar o potencial turístico do município trazendo para cá artistas, políticos e pessoas com grande influencia social para conhecer e, naturalmente, publicitar a cidade.

Outro fato que estabelece a ligação entre o modernismo e a cidade foram dois eventos ocorridos em 1950 e 1955. Trata-se de duas exposições de arte moderna promovidas por André Carneiro na então pequena cidade de Atibaia. Iniciativa que se mostra sem precedentes na história da cultural nacional. Pouco conhecido na própria cidade, estes eventos reforçam a necessidade da continuação da Semana André Carneiro como meio de difusão da vida e da obra do homenageado, não só para exaltar suas qualidades, mas para valorizar na cidade seu rico histórico cultural, e quem sabe, desenvolver outro potencial pouco utilizado até então: o turismo cultural. Em 1950, com a finalidade de inaugurar um cineclube, André Carneiro promoveu em conjunto com a irmã Dulce Carneiro e com a curadoria de Aldo Bonadei e os artistas e amigos Geraldo de Barros, Lothar Charoux e João Luiz Chaves a Primeira Exposição Coletiva de Pintura. O evento aconteceu no saguão do recém-inaugurado Cine Itá, onde também aconteciam as sessões cinematográficas do Clube de Cinema, entidade jurídica criada por André Carneiro e demais participantes do jornal literário Tentativa. A exposição reuniu trabalhos originais dos mais representativos expoentes da arte brasileira, alguns em inicio de carreira e outros já consagrados no cenário nacional. Participaram desta primeira exposição: Aldo Bonadei, Guinard, Oswald de Andrade Filho, Lothar Charoux, Franz Weissmann, Geraldo de Barros, Lívio Abramo, João Luiz Chaves, Aldemir Martins, Odeto Guersoni, Carlos Scliar, Oswaldo Goeldi, Athos Bulcão além do próprio André Carneiro e Dulce Carneiro. Um elenco de peso! Entre os trabalhos pinturas, gravuras e fotografias. A inauguração aconteceu no dia 28 de junho de 1950, contando com a presença de boa parte dos expositores.

Anos depois, em 1955, André Carneiro realiza uma segunda exposição de arte moderna em Atibaia. Dessa vez nas dependências do Clube Recreativo Atibaiano. A Primeira Exposição Oficial de Pintura teve, além da organização de André e sua irmã Dulce Carneiro, a colaboração de Ruth Diem, pertencente à sessão de arte da Biblioteca Pública de São Paulo, que trazia vasta experiência na área de curadoria. A exposição foi inaugurada dia 25 de junho e fez parte da programação de 290 anos de Atibaia. Após a abertura da exposição houve no palco do Clube Recreativo uma palestra didática sobre arte moderna proferida pelo escritor, pintor e crítico de arte Sérgio Milliet, então Diretor do Museu de Arte Moderna e da Biblioteca Pública de São Paulo. Entre os expositores estavam artistas que participaram diretamente da Semana de 22, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti e o próprio Sergio Milliet, além de Aldemir Martins, Aldo Bonadei, Cícero Dias, Flávio de Carvalho, Flexor, Maria Leontina, Milton Dacosta, Quirino da Silva, Walter Lewy e Oswald Andrade Filho. Na inauguração estiveram presentes vários expositores, além de vários jornalistas da imprensa paulistana.

Em 1954, portanto em pleno clima de intercâmbio artístico, Oswald Andrade Filho, o None como era conhecido, realizou no então Clube de Campo, hoje Parque Edmundo Zanoni, um lindo painel em ladrilhos representando as congadas de Atibaia. Esta obra pode ser considerada símbolo do modernismo na cidade, pois agrega os valores mais representativos dos dois movimentos: a estética e a autoria modernista aliada à temática essencialmente atibaiana das congadas. Tradição que ultrapassa 250 anos, as congadas trazem em seu histórico a história da própria cidade ao reunir a fé, à tradição católica popular, às pessoas simples e iletradas que somam imigrantes italianos, portugueses, descendentes indígenas, caboclos e principalmente o povo negro, que construiu e formou boa parte do que somos hoje. No painel do None, de 1954, o passado e a tradição foi expressa da forma mais contemporâneo da época. Obra que marca um período em que Atibaia possuía artistas e intelectuais a altura e além de seu tempo.

A nona edição da Semana André Carneiro acontecerá de 06 a 12 de maio. Realização conjunta entre a Secretaria de Cultura de Atibaia, o Instituto Garatuja e o Coletivo André Carneiro.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Vem aí a 9a Semana André Carneiro – Edição especial: centenário de nascimento.


 








O ano de 1922 foi emblemático. De 13 a 17 de fevereiro aconteceu no Teatro Municipal a Semana de Arte Moderna de São Paulo. A Semana de 22, como ficou conhecida, foi à primeira manifestação coletiva pública a romper com a arte acadêmica, favorecendo uma mudança estética que sedimentou o Movimento Modernista no Brasil. O ano registra também o nascimento do multiartista atibaiano André Carneiro. Os dois acontecimentos, que marcam seu centenário esse ano, estão ligados ao histórico cultural de Atibaia. André Carneiro foi responsável por “introduzir” a Semana de 22 no município ao produzir em 1949 o jornal literário Tentativa, considerado importante representante da terceira geração modernista de 45, também chamada de Geração de 45. Tentativa publicou textos e poemas exclusivos de muitos escritores e intelectuais participantes da Semana de 22, como Oswald da Andrade (que escreveu a apresentação do jornal), além de Mario de Andrade, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet e outros. André também organizou duas exposições modernistas na cidade reunindo originais de artistas plásticos participantes diretamente da Semana de 22, como Anita Malfatti e Di Cavalcanti. A familiaridade do modernismo com a cidade levou Oswald de Andrade a expor numa crônica a intenção de morar em Atibaia. A importância cultural desses acontecimentos serão marcados na 9a edição da Semana André Carneiro, que acontecerá de 06 a 12 de maio. Dada às imensas dificuldades que atravessa a área cultural as ações serão modestas, como foram as duas últimas, e muito aquém da importância do fato e do que gostaríamos de oferecer. No momento estamos em diálogo com a Secretaria de Cultura de Atibaia visando o apoio necessário para sua realização, uma vez que se trata de uma iniciativa de grande significado para a comunidade local e que teve sua elaboração inicial conjunta entre o Poder Público e sociedade civil. Além, é claro, da efeméride da data. Salientamos que para a continuidade do evento é necessário o envolvimento de artistas e estudantes através de concursos e oficinas, ações só possíveis de acontecer com apoio e parceria da Secretaria de Cultura, que se mostra empenhada em contribuir, frente as dificuldades que também enfrenta. Desde o ano passado a Semana André Carneiro é realizada pelo Coletivo André Carneiro, grupo que reúne artistas, escritores e admiradores do homenageado dispostos a alavancar a iniciativa que já se encontra na nona edição. Período em que conquistas importantes foram alcançadas como a oficialização do evento e a nomeação de um espaço cultural público com o nome do homenageado.