quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

8ª Semana André Carneiro

 












Este ano será realizado a 8ª Semana André Carneiro. Previsto para acontecer entre os dias 7 e 13 de maio, o evento ainda é incerto quanto à programação por conta da pandemia.  Em 2020 tivemos uma ação reduzida, pelas mesmas razões, e este ano, ao que parece, será semelhante. O importante é manter sua realização, marcando presença e se preparando para 2022, quando será comemorado o centenário de nascimento do homenageado. Esperamos que até lá a situação melhore e o evento volte a ter a importância que merece.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

A foto Trilhos, de André Carneiro, é destaque no MOMA


O museu mais famoso e importante do mundo, o MOMA de Nova Iorque, realizará de março a junho de 2021 a exposição “Fotoclubismo - Brazilian Modernist Photography, 1946–1964.” Será a primeira grande exposição de fotografia modernista brasileira fora do Brasil e destaca o trabalho do Foto-Cine Clube Bandeirante, de São Paulo. Os artistas atibaianos André e Dulce Carneiro tiveram intensa participação no Foto Clube Bandeirante nesse período. “Trilhos”, a mais conhecida fotografia de André Carneiro é destaque na divulgação do evento pelo valor icônico e representativo do movimento modernista no Brasil. A foto também está exposta no Tate Gallery, em Londres, em exibição permanente. A exposição Fotoclubismo é organizado pela curadora Sarah Meister, com assistência de Dana Ostrander e apoio do Departamento de Fotografia do MOMA. Saiba mais: http://press.moma.org/exhibition/fotoclubismo/?fbclid=IwAR01iclNsJDSLGSE9S5k0G4Jhevz4v-jTGGxM3Vmx8jmHcrlZGpcuL0aVrs ou https://www.moma.org/calendar/exhibitions/5245?fbclid=IwAR00x-0PU1_NCSHqRXSyDUPH8buvTsu9nW_zJ0Je1BNmYRRl0qCyjwanW4A


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Live da 7a Semana André Carneiro

Em maio aconteceu a 7ª Semana André Carneiro. Em razão da pandemia a programação do evento foi reduzida e realizada de maneira virtual. Esta live fez parte da programação e contou com a presença de preciosos colaboradores: Gilberto Sant’Anna, Carlos Alberto Pessoa Rosa, Paulo Urban e Mauricio Carneiro. A mediação foi da competente Juliana Gobbe e a organização de Márcio Zago, curador da Semana André Carneiro. A live está na integra.


terça-feira, 28 de abril de 2020

O modernismo chega a Atibaia

Aldo Bonadei - Paisagem de Itanhaém
Óleo sobre tela - 46 x 56,5 cm - 1943 






















Há exatos setenta anos Atibaia recebia obras originais dos maiores artistas modernistas da época e hoje ícones da cultura nacional: Guignard, Oswald de Andrade Filho, Franz Weissmann, Cicero Dias, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Flexor, Anita Malfatti, Aldemir Martins, Sergio Milliet, Walter Levy, Livio Abramo, Carlos Scliar e Oswaldo Goeldi são alguns dos participantes. A “Primeira Exposição Coletiva de Pintura de Atibaia” ocorreu no saguão do recém-inaugurado Cine Itá.  Promovido por André Carneiro, sua irmã Dulce e Ruth Diem, a exposição foi inaugurada dia 28 de junho de 1950. Um dos organizadores foi Aldo Bonadei, encarregado da curadoria.

Aldo Cláudio Felipe Bonadei (1906 - 1974) foi pintor, designer, gravador, figurinista e professor. A partir de 1935, integra o Grupo Santa Helena, com Mario Zanini, Rebolo, Pennacchi, Alfredo Volpi, entre outros. Pinta principalmente naturezas-mortas e paisagens urbanas e suburbanas de São Paulo, temas que se tornam constantes. Destaca-se em suas obras do período o diálogo constante com a obra de Paul Cézanne, no tratamento da cor e no uso da pincelada. Na década de 1940, leciona pintura e trabalha como figurinista, criando modelos para vestidos e desenhos para bordados. Em seguida, sob o impacto da abstração interessa-se pelo cubismo e a tensão entre o figurativo e o abstrato, que permanece em sua produção posterior. O interesse por diferentes áreas leva-o a desenvolver atividades em poesia, moda e teatro. O artista tem importante atuação, entre os anos 1930 e 1940, na consolidação da arte moderna paulista sendo um dos pioneiros no desenvolvimento da arte abstrata no Brasil. Aldo Bonadei participou ativamente do jornal literário "Tentativa", de Atibaia, ilustrando poemas e contos com gravuras produzidas especialmente para o jornal. De sua amizade com André Carneiro nasceu à proposta de organizar na cidade esta exposição, trazendo para cá os mais importantes artistas modernistas da época. Muitos em inicio de carreira.

Em maio acontece a 7ª Semana André Carneiro e na programação uma exposição virtual recriando a “Primeira Exposição Coletiva de Pintura de Atibaia”. A exposição estará no site da Câmara, organizado pelo Departamento de Comunicação da Câmara de Vereadores de Atibaia e do jornalista Luiz Gonzaga Neto. Acompanhe.

sábado, 25 de abril de 2020

Em maio a 7a Semana André Carneiro















De 09 a 16 de maio acontece a 7ª Semana André Carneiro. Esse ano o evento ficará marcado pela polêmica e pelo inusitado. Tempos de turbulências causados por uma pandemia sem previsão de como, e quando terminar. Tempos de cidades vazias, como antecipou André Carneiro no conto “A Espingarda”, de 1966. O ano começou polêmico, quando fomos surpreendidos por um edital lançado pela Secretaria de Cultura tentando alterar a forma de organização da Semana André Carneiro. Detalhe: o edital foi lançado sem consultar seus realizadores, ignorando todo histórico de realizações ocorridas nas seis edições anteriores, de forma autoritária e sem conhecimento de causa. Saiba mais aqui. A finalização desse imbróglio foi à apresentação de somente um projeto no edital de chamamento. Projeto recusado pela equipe de avaliação por descumprir suas exigências. Enfim, tanta coisa pra nada! A polêmica também fez parte de outro evento ocorrido há setenta anos que fará parte da programação desta 7ª edição: a “Primeira Exposição Coletiva de Pintura de Atibaia”. Evento sem precedentes no país, quando uma pequena cidade do interior abrigou parte importante da história da Arte Moderna Brasileira. Aqui foram expostos originais de Guignard, Oswald de Andrade Filho, Franz Weissmann, Cicero Dias, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Flexor, Milton Dacosta, Anita Malfatti, Aldemir Martins, Quirino da Silva, Maria Leontina, Sergio Milliet, Walter Levy, Livio Abramo, Odeto Guersoni, Carlos Scliar, Oswaldo Goeldi, Athos Bulcão e outros. Promovido por André Carneiro, sua irmã Dulce e Ruth Diem, a exposição foi inaugurada dia 28 de junho de 1950, contando com a presença e a obra de todos os organizadores: Aldo Bonadei, Geraldo de Barros, Lothar Charoux e João Luiz Chaves, além de pinturas do próprio André e fotografia de sua irmã Dulce. A mostra aconteceu no saguão do recém-inaugurado Cine Itá, marcando o inicio do “Clube de Cinema de Atibaia”, entidade jurídica também criada por André Carneiro e demais participantes do jornal literário “Tentativa”. No Clube de Cinema eram exibidos filmes de arte e debatidos pelos participantes no final de cada sessão.

O próprio histórico da Arte Moderna no Brasil é marcado pela polêmica, desde a primeira Exposição de Pintura Moderna ocorrida por iniciativa de Anita Malfatti, em 1918. Exposição que passou a ser considerado um marco na história da arte moderna no Brasil e “estopim” da Semana de 1922. Não é difícil prever o impacto dessa exposição para os padrões estéticos conservadores da época. O escritor Monteiro Lobato foi seu maior crítico e contra ele arregimentam jovens poetas e escritores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e outros, que organizariam mais tarde a Semana de Arte Moderna de 22. A polêmica também fez parte de outro acontecimento que marcou a arte moderna no Brasil, além da própria Semana de 22: O “Salão Revolucionário”, como ficou conhecido a 38ª Exposição Geral de Belas Artes, ocorrido em 1931, no Rio de Janeiro, em razão de ter abrigado, pela primeira vez artistas de perfil moderno e modernista. Participam do Salão artistas de diferentes gerações, mas todos ligados de alguma forma às pesquisas da arte moderna: Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Anita Malfatti, Ismael Nery, Cicero Dias, Portinari, Pedro Luiz Correia de Araújo, Vittorio Gobbis e Guignard. Outro evento marcado pela polêmica aconteceu em 1944, em Belo Horizonte: A "1ª Exposição de Arte Moderna", promovida pelo então prefeito Juscelino Kubitschek no edifício Mariana, que levou para a cidade uma série de obras de artistas modernistas de pelo menos três gerações, provocando “frisson” semelhante ao de 1922 - com direito a protestos raivosos na imprensa e ataques aos quadros dentro da galeria. Essa exposição foi considerada uma espécie de "continuação" da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo. A "1ª Exposição de Arte Moderna" de Minas Gerais surgiu quando o prefeito Kubitschek decidiu convidar Alberto da Veiga Guignard para realizar um curso de arte na cidade. Guignard sugeriu que uma mostra de artistas modernos fosse promovida como "recepção". Juscelino viu na ideia uma oportunidade de apresentar aos intelectuais paulistas e cariocas o conjunto arquitetônico da Pampulha, criado pelo Niemeyer. Em 1950 André Carneiro e César Mêmolo Junior viajaram a Minas Gerais para entrevistar Guignard e colheram informações sobre o curso de arte que o artista ainda ministrava na cidade. A matéria foi publicada no jornal literário Tentativa número 8, página 5. Veja aqui. Ao considerar as enormes diferenças existentes entre os meios de comunicação da época e consequente tempo de difusão das informações fica evidente a ousadia do André Carneiro, e demais artistas envolvidos, em trazer para Atibaia o que havia de mais atual na época. Em 1944 os modernistas ainda causavam polêmicas e a exposição de Atibaia ocorreu em 1950. A maioria dos artistas presentes na exposição de Atibaia eram os mesmos que participaram das demais exposições citadas acima, apresentando obras originais que, como dizia André Carneiro, atualmente poucas instituições culturais teriam recursos para sequer pagar o seguro das obras.  E como não poderia deixar de ser, aqui em Atibaia a exposição também causou polêmica. Os artistas acadêmicos locais, ofendidos com o sucesso da exposição, reagiram criando seu próprio evento: A “Primeira Exposição Conjunta de Pintura, em Atibaia”, que aconteceu no salão do Clube São João FC, meses mais tarde. Despeito a parte, a “Primeira Exposição Coletiva de Pintura de Atibaia” ganhou notoriedade. Segundo a pesquisa de Mauricio Carneiro, a exposição realizada aqui seguiu meses depois para a cidade de São João da Boa Vista- SP acompanhada de uma caravana cultural que saiu de Atibaia liderada por André Carneiro. Na ocasião André realizou a palestra “Para Compreensão da Arte Moderna”, evento que aconteceu no Teatro Municipal de São João da Boa Vista, prédio histórico do município e palco de inúmeros eventos de grande valor artístico para o interior paulista.

Em razão da pandemia, e da impossibilidade de aglomerações, a programação prevista para a 7ª edição da Semana André Carneiro foram alteradas. A ideia inicial era realizar uma exposição com reproduções de obras que integraram a “Primeira Exposição Coletiva de Pintura de Atibaia”, recriando o clima e o valor estético do evento. Infelizmente não mais será possível. Optamos então em transformá-la numa mostra virtual, que terá apoio do Departamento de Comunicação da Câmara de Vereadores de Atibaia e do jornalista Luiz Gonzaga Neto. A palestra preparada pelo psiquiatra e psicoterapeuta Paulo Urban, sobre o amigo André Carneiro, também foi suspenso pelos mesmos motivos. Além da exposição virtual, manteremos o lançamento de uma versão piloto da 6a edição do “Caderno da Semana” e realizaremos uma “live”, com mediação de Juliana Gobbe e convidados. Entre eles Gilberto Sant’Anna, Mauricio Carneiro, Paulo Urban, Carlos Alberto Pessoa Rosa, Márcio Zago e outros. Ela acontecerá dia 09 de maio, sábado, às 20h pela página de facebook da Semana André Carneiro. Dessa forma, embora com uma programação modesta, não interromperemos sua sequencia. A “live” terá também a intenção de cooperar com o Asilo São Vicente de Paula, que esse ano completa noventa anos de existência, abrigando certa de cinquenta anciãos. Maiores informações serão disponibilizadas nas próximas horas. A 7ª Semana André Carneiro tem a realização do Instituto de Arte e Cultura Garatuja. Participe!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Depoimento da colunista Ercília Bacci sobre André Carneiro

Na 6a edição da Semana André Carneiro, que ocorreu em maio de 2019, o destaque foi os setenta anos do jornal literário Tentativa. Para comemorar a data foi realizado um encarte, distribuído gratuitamente nas páginas do jornal O Atibaiense. Abaixo o texto enviado pela colunista Ercília Bacci.


No Casarão Julia Ferraz, em 21/07/2007, 
André Carneiro autografa “Quânticos da Incerteza” 
Foto de Ercília Bacci
















A “Volta ao Mundo” do atibaiense André Carneiro 

O livro “Quânticos da Incerteza” de André Carneiro incentivou-me, num passado recente, a entender a caminhada do grande intelectual atibaiense. Eu o conhecia, como se conheciam as pessoas na pequeníssima Atibaia, de poucos habitantes, na década de 1950. Todos sabiam onde residia determinada pessoa, quem eram os seus familiares, os seus afazeres. Era comum o cumprimento nas ruas, com o bom dia, boa tarde...Permitiu-me essa obra organizado por Osvaldo Duarte, com a coordenadoria editorial de Araceles Stamatiu, lançado dia 21 de julho de 2007, no Casarão “Júlia Ferraz”, na administração do prefeito José Roberto Trícoli, não só entender um pouco mais. André Carneiro e suas obras no campo das artes, literatura, cinema, fotografia, psicologia, vasta bibliografia. Passei a questionar por que Atibaia demorou tanto em conhecê-lo? Merecedor de reverências por parte de ícones da cultura do Brasil e exterior?

André Carneiro era um homem elegante. O comercio de ferragem da família, na Rua Benedito de Almeida Bueno, a “Casa Recaredo”, referenciava a seu pai Recaredo Granja Carneiro. Surpreendeu a todos da cidade quando a família ergueu um alto muro em frente à própria residência, localizada ao lado do estabelecimento comercial. E isso deu o que falar! Críticas surgiram sobre essa atitude, e ninguém tendo nada a ver com isso! Nascido em Atibaia dia 9 de maio de 1922, onde fez os estudos iniciais, rumou a São Paulo, foi aluno interno do Colégio Marista. Volta para a cidade natal, cria com César Mêmolo Jr. a Biblioteca Pública de Atibaia repassada posteriormente à Prefeitura. Fundou o Clube de Cinema e promoveu com Ruth Diem e sua irmã Dulce encontros e exposições culturais, assim trouxe para Atibaia intelectuais, artistas como Aldemir Martins, Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e outros. E eu, nascida e criada em Canedos, muito jovem, sinto que por aí estava uma das barreiras de não ter conhecido mais cedo o intelectual que se projetava. Com a família, atrelada ao trabalho de meu pai, alambiqueiro, que se tornou comerciante, chegamos de mudança em Atibaia em meados da década dos anos 1956. Fiz curso Técnico de Comércio, mas voltada à escola pública, a Major Juvenal Alvim e cursar o Normal. Havia vestibulinho para seu acesso. E assim aconteceu.

Com Dulce Carneiro e César Mêmolo Jr, fundou o jornal “Tentativa” em 1949, tendo colunistas e colaboradores ilustres, personagens do meio artístico/cultural do cenário nacional. Nesse período, atuou em jornais locais “O Atibaiense” e a “Gazeta de Atibaia”, escreve o primeiro livro, “Ângulo e Face” trava contatos com Sérgio Milliet, Cassiano Ricardo, Murilo Mendes, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade. Nos anos seguintes faz literatura, fotografia e cinema tendo sido premiado no Brasil, França, Holanda Itália e Inglaterra. Na literatura, tem obras publicadas na Espanha, Argentina, França, Suíça, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Itália, Bulgária, Suécia, Rússia, Japão e Estados Unidos. Recebeu inúmeros prêmios de relevância mundial. Foi membro de sociedades artísticas e científicas, integrou a Parapsychogical Association, a Science Fiction and Fantasy e a Academie Ansaldi, de Paris. Publicou o Manual de hipnose e O mundo misterioso do hipnotismo, no gênero ensaio. Com o título “A Geração 45 - Através do Jornal Tentativa”, o periódico “Tentativa” tornou-se arquivo público do Estado de São Paulo, do então governador Cláudio Lembo, em 2006, em  publicação fac-símile, realizada pela Prefeitura de Atibaia, com suporte técnico e parceria do Arquivo do Estado de São Paulo.

Em uma das páginas de abertura, da primeira edição do “A Geração 45 - Através do Jornal Tentativa”, André Carneiro comenta: “Para quem ama e tem vivido a arte literária (e outras), ‘Tentativa’ foi isso: para mim, um sonho inverossímil realizado. Seria o mesmo que falar de um grande amor e contar dos percalços para atingir a glória da conquista, aquele beijo maravilhoso que o cinema americano colocava antes do ‘the end”. Tratando da informática presente no Brasil, disse André Carneiro: “Sou um usuário e ignorante cibernético. Ainda não estou convencido da difusão do livro virtual. E o que isso tem a ver com o ‘Tentativa’? Tem a ver que o nosso jornal literário foi um empreendimento extraordinário na época que pequenas cidades do interior não tinham possibilidades de conseguir colaboração e difusão como conseguimos: Aldemir Martins fez o título, Oswald de Andrade a apresentação, as molas iniciais para o sucesso... Afinal, o César e eu morávamos em Atibaia, minha rua era de terra, São Paulo ficava a três horas de distância, nossa ingenuidade, junto de nossa paixão abria caminhos... Nós não sabíamos que Graciliano Ramos não dava entrevistas, mas lá fomos ao Rio e conseguimos – e teve grande repercussão. Carlos Drummond de Andrade nos recebeu e logo foi perguntando como ia o Leão Profeta?” Ele recebia o jornal “O Atibaiense” e sabia novidades da cidade. “Um jornal de Lisboa publicou uma crônica que afirmava, em Atibaia, uma pequena cidade perto de São Paulo, havia um movimento literário muito superior ao de Lisboa. Pura ilusão portuguesa, mas isso nos enchia de orgulho”, disse André Carneiro.  Em março de 2014, André Carneiro, aos 92 anos de idade, esteve em Atibaia para receber homenagem durante a realização da 1ª edição da Semana André Carneiro, vindo a falecer em novembro do mesmo ano. Inseriu-se no mundo das artes, da literatura, e o caminho inicial foi Atibaia. Na orelha do livro “Quânticos da Incerteza” há uma referência: Volta Ao Mundo. Partida: Atibaia, 1959. Daí a extensa bibliografia de autoria de André Carneiro: poesias, prosas, antologias poéticas e de contos, ensaios, críticas, filmografias, roteiros, obras adaptadas ao cinema ou TV - na Imensa Volta Ao Mundo, através da arte e literatura.

Memória é nevoeiro,
Tento a raiz do intento
e me perco.
Fato é átomo
cercado de fogo fátuo.
Cada reflexo
fica impresso
nos agoras antigos.

A “Semana André Carneiro”, criada em 2014, parceria entre o “Instituto de Arte e Cultura Garatuja” e a Prefeitura da Estância de Atibaia; com a inauguração do “Centro Cultural André Carneiro”, na Rua José Lucas, 28, em 17 de novembro de 2018, na administração Saulo Pedroso, deram amplitude de conhecimento às obras do representativo artista de Atibaia.  Márcio Zago, fundador do Garatuja, é o curador da Semana André Carneiro.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Volta ao Mundo com André Carneiro

Na 6ª edição da Semana André Carneiro (2019) foi exposto cerca de cinquenta capas de livros e revistas que continham contos, poemas ou romances publicados em diversas partes do mundo pelo autor homenageado. Abaixo algumas delas. O texto de apresentação foi do editor Silvio Alexandre.

Volta ao Mundo com André Carneiro

André Carneiro é o autor de ficção científica brasileira com maior destaque internacional. É considerado o melhor autor e referência de literatura fantástica na América Latina. Autor de textos sofisticados e perturbadores, de abordagens raras e estilo sempre inovador. Foi através da sua obra que a ficção científica do Brasil ganhou notoriedade no exterior. Foi o primeiro escritor da América do Sul a integrar a prestigiosa Science Fiction and Fantasy Writers of America, entidade profissional de escritores americanos. Foi condecorado pelo governo francês com a Medalha de Prata da Cidade de Paris, da Societe D’Education et Encouragement, em 1950, por suas atividades de intercâmbio cultural e cooperação artística entre Brasil e França. Em 1951, é feito “Membre D'honneur” da Academie Ansaldi, de Paris. Seu conto mais conhecido no exterior é "A Escuridão", onde gradativamente o planeta inteiro é tomado por uma cegueira coletiva, tema que foi também explorado muitos anos depois pelo escritor português José Saramago, em seu "Ensaio sobre a cegueira". O escritor e crítico canadense A.E. Van Vogt escreveu que "A Escuridão" (“Darkness”, em inglês) não só “é um dos maiores trabalhos escritos na ficção cientifica, mas também da literatura mundial. Não é apenas ficção científica de ação superficial, mas literatura no seu melhor sentido. André Carneiro merece a mesma audiência de um Kafka ou Albert Camus”. Já o consagrado escritor Arthur C. Clarke ressaltou: “Li André Carneiro de um só fôlego. É impressionante como ele consegue fazer boa literatura”. É muito conhecido na Suécia, seus contos foram publicados no final dos anos 1970 pela revista Jules Verne Magasinet, criada em 1940 – a única revista do mundo de ficção científica durante uma época. A influente editora sueca Delta Förlags, publicou o primeiro romance de André Carneiro, Piscina Livre publicado simultaneamente no Brasil, pela editora Moderna, em 1980. O poeta Carlos Drummond de Andrade afirmou que “em Piscina Livre, André exercita de maneira brilhante a originalidade do ficcionista”. Foi publicado nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Hungria, Inglaterra, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Portugal e Suécia.

Silvio Alexandre