domingo, 18 de dezembro de 2016

Agora é oficial !

O Projeto de Lei que instituiu a Semana André Carneiro no calendário cultural do município de Atibaia foi aprovado por unanimidade pelos vereadores presentes na Sessão da Câmara que aconteceu dia 5 de dezembro de 2016. O projeto de lei é de autoria do vereador Paulo Fernando Serrano Catta Preta, do PV. O Projeto de Lei agora é a Lei 4.475, de 15 de dezembro de 2016 e foi publicada na Imprensa Oficial do Município na edição 1.846. Essa iniciativa contribuirá para a continuidade da proposta, oferecendo respaldo institucional e condições efetivas para pleitear dotação orçamentária junto ao município. A limitação financeira foi um dos fatores que impediram, até agora, a implantação da Semana André Carneiro como previsto em sua concepção original. Nela a participação dos artistas locais e regionais, através de mostras, concursos e editais, seriam de suma importância para a expansão e envolvimento da cidade em suas atividades.




As edições anteriores...


No centro (de pé) André Carneiro
e ao lado (de paletó) o Prof. Mustafá Ali Kanso. 
A 1ª Semana André Carneiro aconteceu em 2014, no Ciem – Centro Integrado de Educação Municipal. A Semana foi aberta pelo escritor Nelson de Souza, que falou sobre a trajetória artística do amigo André Carneiro. Também foi inaugurado o ExpoRua, formado por oito painéis expositivos com informações referentes à vida e obra de André Carneiro. O ExpoRua circulou por diversos bairros da cidade. No dia seguinte o Prof. Mustafa Ibn Ali Kanso realizou a palestra “As Dimensões Criativas de André Carneiro”. O destaque foi a presença do próprio homenageado, então com 92 anos de idade, que recebeu das mãos do chefe de Gabinete, Dr. Luiz Benedito Roberto Torricelli, representando o Prefeito Municipal de Atibaia Saulo Pedroso, uma placa de reconhecimento do município pelo trabalho realizado em Atibaia. Esse ato simbólico foi recebido de forma calorosa por André, que retribuiu numa emocionada declaração de amor à sua terra natal. Essa foi sua última visita a Atibaia, vindo ele a falecer meses depois. Na ocasião houve ainda uma pequena mostra dos livros de sua autoria. As obras passaram a fazer parte do acervo das bibliotecas públicas da cidade, que até então dispunham de poucas edições.


Palestra de Silvio Alexandre 
A 2ª Semana André Carneiro ocorreu em 2015 com a primeira exibição pública do site da Semana no Centro de Convenções Victor Brecheret. No saguão de entrada foi montado o ExpoRua, local onde houve a leitura de alguns poemas de André pelos escritores Carlos Alberto Pessoa Rosa e Euclides Sandoval, além da performance Esfera Cerrada, encenadas pelas meninas do Corpo Municipal de Dança de Atibaia. Ainda no saguão aconteceu o lançamento da primeira edição do Caderno da Semana e a abertura da exposição Arte Fotográfica de André Carneiro, que destacou as imagens presentes no livro Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas. No palco uma pequena palestra do editor Silvio Alexandre sobre a obra do homenageado. Contamos também com a presença de Mauricio Carneiro, filho de André, que falou sobre o pai e a realização do evento. A Semana teve continuidade com a mostra O Cinema Nacional de Ficção Científica. Na programação, filmes raros e cultuados entre os aficionados do gênero. Essa proposta estava presente em função do homenageado ter estreita ligação com o tema. Outra ação desenvolvida em 2015 foi a circulação do ExpoRua por diversos bairros da cidade, com destaque para a montagem na FAAT – Faculdades Atibaia, espaço que conta com estudantes de diversas áreas e principalmente alunos do curso de artes visuais. Uma das propostas da Semana André Carneiro, a médio e longo prazo, é inseri-la na vida estudantil e acadêmica da região, forma de perpetuar a obra de André às futuras gerações.

Mostra As Capas do Tentativa
A 3ª Semana André Carneiro aconteceu em setembro de 2015, com a mostra A Arte Fotográfica de André Carneiro  no saguão da Câmara Municipal. No Centro de Convenções foi aberta a mostra Capas de Tentativa, que reproduziu as treze capas da edição do jornal literário Tentativa, produzido em Atibaia por André Carneiro, César Mêmolo Junior e Dulce Carneiro entre 1949 e 1951. Aconteceu também a abertura da exposição André Carneiro Fotografias, com fotos que integram o livro com o mesmo nome. O livro, editado pela Secretaria de Estado do Paraná através da Lei de Incentivo à Cultura de Curitiba, foi lançado com exclusividade nessa 3ª edição da Semana. Outra obra inédita de André Carneiro lançada nesse evento foi Teorema das Letras, da Editora Devir. Seu quinto livro de contos, Teorema das Letras é a primeira publicação póstuma, reunindo a última fase da sua produção. A Revista da Semana número 2 também foi lançado na ocasião. Nela matérias sobre o Jornal Literário Tentativa e principalmente sobre o trabalho de Cesar Mêmolo Jr. Ele foi lembrado nessa 3a Semana pelo trabalho junto ao jornal literário e outras ações de grande importância para a cidade como a criação da Biblioteca Municipal, a Primeira Exposição de Arte Moderna de 55, etc. Fechando a noite aconteceu a leitura de poemas de André Carneiro pelo multimídia Euclides Sandoval e a participação do Grupo de Choro da Fama. Por fim o depoimento dos filhos de André Carneiro, Mauricio e Henrique, que falaram sobre o pai e a realização da Semana. A programação continuou com a mostra O Cinema Nacional de Ficção Científica e a Mostra Linxfilm, nas dependências do Instituto Garatuja. O destaque dessa edição foi a disponibilização de todas as edições do Jornal Tentativa no site da Semana, incluindo o número treze, que poucos conheciam. Está disponível também o trabalho acadêmico do pesquisador Osvaldo Duarte sobre o jornal. Ações de suma importância para divulgação da obra de André Carneiro.

Élsie da Costa, do Instituto Garatuja, o vereador Paulo Catta Preta
e Maurício Carneiro (de costas).


















O Instituto Garatuja e os familiares do André Carneiro agradecem a prontidão e seriedade do vereador Paulo Catta Preta, ao somar esforços no sentido de legitimar a importância do artista e sua obra para a cidade de Atibaia. A Semana André Carneiro tem a realização do Instituto de Arte e Cultura Garatuja e da Prefeitura da Estância de Atibaia, através da Secretaria de Cultura e Eventos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

As imagens nas páginas do Tentativa


O jornal literário Tentativa, já no primeiro número se mostra preocupado com o resultado estético face aos limitados recursos da época. O processo utilizado era a tipografia. Processo extremamente trabalhoso se comparado aos atuais. Cada palavra impressa era formada por letras de metal em relevo, montadas uma a uma, de trás para a frente. A tinta aplicada sobre esse relevo era calcada no papel, como um grande carimbo. Desenhos ou fotos, mais complicado ainda. Daí a escassez de imagens nos jornais da época. Fato que não ocorreu no Tentativa. A começar da logomarca desenvolvida pelo então iniciante artista plástico Aldemir Martins. De grande impacto visual a logomarca, assim como as demais ilustrações feitas por ele, é arrojada para a época e bonitas até hoje. Destaque para o bico de pena Vista de Atibaia, que figura em meio ao texto de Oswald de Andrade, logo na primeira edição. Cada imagem impressa vem de um clichê. Descendente direto da xilogravura, o clichê é um processo fotomecânico e provavelmente, no caso do Tentativa, feito em outra cidade. O trabalho de impressão acontecia na Oficina Gráfica Santa Terezinha, pelo Jornal O Atibaiense, de propriedade da Diocese, que na época tinha sido arrendado pelo pai de César Mêmolo Jr. Nos três primeiros números do Tentativa as ilustrações são exclusivamente de Aldemir Martins, presente nas edições seguintes, exceto nos números 5, 10 e 13, onde seu nome não aparece. A partir da quarta edição surgem outros artistas. Pela ordem: Carolyn Spaaks, Franz Weissmann, Frans Masserel, Picasso, Oswald de Andrade Filho, Geraldo de Barros, El Greco, João Luiz Chaves, Franz Maseerel, Washington Júnior, Clovis Graciano, Carybé, Paulo Vicente de Souza Lima, Lygia Sampaio, Jenner Augusto, Itajahy Martins, Jean Toth e Farnese. Pelas informações obtidas não há como identificar quais trabalhos foram produzidos especialmente para o Tentativa. Mesmo as imagens de Aldemir Martins, que a princípio sugerem que foram produzidas especialmente para o jornal, pode ser questionado, uma vez que a citada Vista de Atibaia foi utilizado dois anos antes como capa da Revista do Arquivo Municipal, editado pelo Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, no volume CXV, de 1947. Pode-se especular sobre outros artistas.  É o caso dos cinco trabalhos de João Luiz Chaves que constam nos últimos números.  João Luiz Chaves integrou o grupo de jovens artistas de Atibaia que na década de 40 formaram um movimento de vanguarda a inserir modernidade na pacata cidadezinha. Fizeram parte desse movimento, além dos citados João Luiz Chaves e André Carneiro, as irmãs de André (Dulce, Maria Francisca, Odila e Odete), além de César Mêmolo Júnior e seus primos Elisa Helena, Maria Amélia, Amadeu Lana e ainda Luzia Lima de Oliveira Chaves. O grupo atuou em diversas áreas como cinema, literatura, fotografia, artes plásticas, música, etc, Culminou mais tarde na realização do Tentativa e depois na Exposição Coletiva de Pintura, em Atibaia. Por essa razão é provável que as gravuras de Luis Chaves tenham sido produzidas exclusivamente para esse jornal. No número quatro, já na capa, uma bela xilogravura de Aldo Bonadei, amigo de André Carneiro, que também transitava por diferentes linguagens: poesia, moda, teatro e artes plásticas, sendo mais conhecido por sua participação no Grupo Santa Helena. Em 1950 Aldo Bonadei ficou encarregado de escolher os artistas participantes da Primeira Exposição Coletiva de Pintura. Esse foi outro fato histórico sem precedentes na história da cidade, dado a grandiosidade e o inusitado da realização. Nomes que participaram da mostra, com trabalhos originais, também aparecem ilustradores do Tentativa, como Geraldo de Barros, Oswald de Andrade Filho, Franz Weismann e o próprio Aldo Bonadei. Logo se conclui que alguns desses artistas tiveram exclusividade no Tentativa, afirmação difícil de ser feita, uma vez que até o momento não se conhecem registros a respeito. Há uma distinção com referência á classificação das imagens: hora aparece “ilustração de”, ou “desenho de”, “reprodução de” e ainda a técnica utilizada: “aquarela de”. Esse detalhe poderia oferecer alguma dica, sugerindo que as “ilustrações de” seriam de exclusividade do jornal, algo feito especialmente para entrar em determinadas matérias. Indício mais forte quando vemos o trabalho de Carybé e de Itajahi Martins. Outras imagens aparecem, como reproduções das obras de Picasso e El Grecco, além de fotos promocionais de filmes, de personalidades como Mário de Andrade e Joaquim Nabuco. Há fotos de registro sobre a Exposição de Arte Moderna e a entrevista com o pintor Guignard. Assim como Klaxon, a revista de divulgação do Movimento Modernista de 22, que já trazia a inovação gráfica como parte integrante da proposta. O jornal literário Tentativa também demonstra essa preocupação, embora com menor ousadia. Trinta anos decorreram entre uma e outra publicação sem que houvesse mudanças significativas quanto à técnica de impressão. A grande diferença entre elas foi o contexto em que foram produzidas. Uma em São Paulo, já metrópole, outra em Atibaia, cidadezinha com menos de 25.000 habitantes. Esse um grande mérito do jornal Tentativa.









Todos os trabalhos acima são de Aldemir Martins e foram produzidos especialmente para o jornal Tentativa. Em 2006, por ocasião da publicação fac-símile do Tentativa, Araceles Stamatiu realizou a entrevista abaixo.

Tudo na vida é papel
Aldemir Martins revê o Tentativa. Curioso, emocionado, chama seu assessor Umberto e aponta para o logotipo que criou há mais de quatro décadas: “Olha que bonito...”. Folheia o jornal e vai mostrando as ilustrações ao pessoal à sua volta no ateliê. Observa cada desenho, o tracejado aprendido com rendeiras da sua terra, “ponto de mosca, cruz e bico, rendas nas palhas de catolé, caçuá e banana e com o desenho das nódoas do caju na roupa”, conta ele, sempre divertido. Fecha o jornal e diz “tudo na vida é papel!”. Depois, lentamente, vai contando como, recém-chegado do Ceará, viveu em Atibaia a experiência dessa publicação. “Tinha chegado a São Paulo há pouco tempo e um amigo, o deputado Germinal Feijó, ofereceu seu sítio em Atibaia para eu morar. Era uma granja cuidada por um japonês. Não faltavam ovos. Eu almoçava em uma padaria no centro da cidade. Acho que era do senhor Antônio, não me lembro bem.” “Como os artistas acabam se encontrando, conheci a Dulce Carneiro. Uma menina linda de vestido de crochê, falando françês e inglês, familiarizada com os grandes movimentos artísticos do mundo. Uma intelectual. Depois fiz amizade com o César Mêmolo, o André Carneiro e também o João Batista Conti. Como era mesmo o nome da mulher dele? Mercedes, isso mesmo.” “No armazém do pai da Dulce e do André tinha um salão e lá nos reuníamos para programar a edição do Tentativa. O projeto era grande, ambicioso...E assim nasceu esse jornal fabuloso, com o melhor da arte e da literatura que, saindo de uma cidadezinha, circulou até pelo exterior. Foi uma grande experiência. Éramos jovens, desafiávamos o mundo...”


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A Olaria, de César Mêmolo Júnior

O documentário A Olaria, de César Mêmolo Júnior, foi realizado em Atibaia no ano de 1950 e registra a fabricação de tijolos pelo “sistema primitivo”, como descrito no próprio filme. Esse foi o terceiro filme produzido por ele e rodado na Olaria Lynce, de propriedade do seu pai, o empresário César Mêmolo.

Em 2005 o Instituto Garatuja produziu o vídeo Oi Lá no Céu! de Rubens Xavier e Élsie da Costa, sobre as Congadas de Atibaia, onde também consta um breve registro do processo de fabricação de tijolos. As imagens foram colhidas em função do contexto em que vivem os participantes da congada vermelha, do bairro do Portão. Muitos congadeiros moram na própria olaria, onde também acontecem os ensaios do grupo. No passado a maioria dos integrantes dessa manifestação eram empregados e moradores das olarias da região.

Ao comparar os dois filmes, separados por mais de sete décadas, constata-se que infelizmente quase nada mudou. O crescimento urbano, ainda hoje, vem de mãos calejadas de trabalhadores que, muitas vezes, não tem sequer uma casa para morar. Veja o vídeo Oi lá no Céu!


sábado, 1 de outubro de 2016

César Mêmolo Júnior e a cultura local

Na 3ª Semana André Carneiro o destaque foi o jornal literário Tentativa, o maior patrimônio cultural erudito do município (Patrimônio cultural popular são as Congadas). Tentativa foi criado por André Carneiro, que contou com a participação da irmã Dulce e do amigo César Mêmolo Júnior, o homenageado desse evento. 
O Grupo

No final da década de quarenta, César Mêmolo Júnior era um dos jovens atibaienses que buscavam trazer para a pequena cidade de Atibaia a contemporaneidade dos grandes centros. Atibaia, na época com aproximadamente 14.000 habitantes, recentemente transformada em estância hidromineral vivia um período de esperança pós-guerra. Desse grupo fazia parte, além de Cesar Mêmolo Jr. e seus primos Elisa Helena e Maria Amélia, Amadeu Lana, Luzia Lima de Oliveira Chaves, Dulce Carneiro, Maria Francisca, Odila e Odete Carneiro, tendo André Carneiro como mentor e catalisador. Ligados e incentivados pela corrente cultural europeia o grupo realizou uma série de ações que marcaram a vida cultural da cidade para sempre. Uma de suas características era transitar por diversas linguagens, fato que influiu na produção de André Carneiro, de João Luiz Chaves e do próprio César Mêmolo Júnior.
Nota no Jornal A Manhã (1950)
Rio de Janeiro
Na literatura ocorreu a criação da primeira biblioteca pública de Atibaia, hoje Biblioteca Joviano Franco da Silveira. André Carneiro publica o livro Ângulo e Face (1949), César Mêmolo Júnor,  Permanência e Tempo (1950). Dulce Carneiro escreve poesia com regularidade e juntos criam o Jornal Literário Tentativa (1949-1951). No cinema organizam o Clube de Cinema de Atibaia, com as famosas seções especiais de cinema e arte, com debates no final. Realizam ainda curtas metragens. De André Carneiro: Solidão, Estudo de Continuidade e Movimento e Último Encontro (1950). De César Mêmolo Jr: A Briga, A Olaria, Saudade, Trágica Recordação (1950). Na fotografia, André Carneiro descobre o Cine-foto Clube Bandeirantes e intensifica a produção, tendo muitas vezes Atibaia e seus personagens como tema, sempre pelo viés artístico e não de puro registro.  Nas artes plásticas André Carneiro e João Luiz Chaves dedicam-se com empenho à linguagem e organizam em 1955 a Exposição Coletiva de Pintura, que alcançou enorme projeção. Trouxe para Atibaia obras originais de artistas consagrados como Guignard, Oswald de Andrade Filho (autor do painel Congadas, que se encontra no Parque Edmundo Zanoni), Lothar Charoux, Oswaldo Goeldi, Carlos Scliar, entre outros.  A exposição se deu por ocasião da fundação do Clube do Cinema de Atibaia, organizada pelo Jornal Tentativa e por Aldo Bonadei e Geraldo de Barros.

Quem foi César Mêmolo Júnior

Estância Lynce na década de sessenta - Foto da internet
Seu pai, César Mêmolo, foi grande divulgador de Atibaia. Proprietário do Hotel Campestre Estância Lynce, trouxe para cá personalidades de projeção no meio político, industrial e cultural, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, e outros. Dotado de visão empreendedora, construiu o Ginásio Atibaiense, mais tarde desapropriado pelo Estado, e renomeado Colégio Estadual Major Juvenal Alvim, em atividade até hoje. No início da década de cinquenta, Cesar Mêmolo Júnior intensifica seu interesse pelo cinema e vai trabalhar como assistente de produção no filme Candinho, de Mazzaropi, logo em seguida com Adolfo Celi. Ganha um concurso e vai pra Itália estudar no Centro Sperimentale de Cinematografia, em Roma. Volta pro Brasil e dirige o longa-metragem Osso, Amor e Papagaio. Nunca mais deixou o cinema. Em 1957 monta em São Paulo a produtora Lynce Filmes, especializada em comerciais para televisão. O nome propunha dar continuidade à tradição dos negócios paternos em Atibaia, cujo nome era Lynce Ltda. Mais tarde a Lynce Filmes foi renomeada Linxfilm. A produtora abrigou importantes profissionais do cinema paulista que passavam por dificuldades em função da estagnação do mercado cinematográfico. Esse potencial criativo, aliado ao desenvolvimento tecnológico, tornou a Linxfilm, na época, a mais importante produtora nacional de filmes publicitários. Sua expansão estava diretamente ligada ao crescimento e profissionalização da televisão brasileira. Mais tarde foi aberta uma filial no Rio de Janeiro e outra em Porto Alegre. De lá saíram filmes publicitários que fazem parte da história da televisão brasileira. A presença do desenhista, chargista e animador Ruy Perotti, como sócio da Lynxfilm, foi fundamental para tornar a produtora pioneira na animação publicitária no Brasil. A facilidade técnica, os reduzidos custos de produção, a liberdade criativa e os resultados alcançados fizeram com que a animação tomasse destaque na produtora. Foram inúmeras campanhas desenvolvidas nessa técnica, hoje clássicos da publicidade nacional como as propagandas da Varig, Casas Pernambucanas, Cobertores Parayba, Fósforos Fiat Lux, etc. Com a próspera atividade da propaganda e o incentivo oferecido pela Embrafilme, a Linxfilm, por influência de César Mêmolo Júnior, volta-se novamente para a produção cinematográfica. Foram dez produções: Vozes do Medo (1070), O Predileto (1975), O Seminarista (1976), Contos Eróticos (1977), As Filhas do Fogo (1978), Diário da Província (1978), O Sol dos Amantes (1979), Ato de Violência (1980), Alguém, (1980) e O Homem do Pau Brasil (1981). Destaque para o filme O Seminarista, lançado comercialmente em Atibaia, e Alguém, roteiro baseado no conto O Mudo, de André Carneiro. A importância do trabalho de César Mêmolo Júnior nas áreas da publicidade, animação comercial e cinematografia nacional, principalmente paulista, garante seu nome na história do audiovisual brasileiro. Soma-se a isso sua contribuição à cultura local, ligada principalmente ao Jornal Literário Tentativa, no qual foi o único responsável pelas duas últimas edições, o que qualifica seu nome, embora não tenha nascido em Atibaia, como um dos grandes construtores da sociedade atibaiense.Saiba mais.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Exposições da 3a Semana André Carneiro seguem até o final do mês

Para quem não conhece o trabalho fotográfico de André Carneiro, ou quer rever suas obras, segue até o final do mês duas exposições em Atibaia. A Arte Fotográfica de André Carneiro acontece no saguão da Câmara Municipal. Essa mostra abriu as atividades da 3ª Semana AC e foi organizada pelo Departamento de Comunicação e Escola Legislativa de Atibaia, tendo a frente o jornalista Luis Gonzaga Neto. As fotos presentes estão no livro Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas onde André revela situações por trás das fotos, além de causos e histórias sobre o tema. Em muitas delas Atibaia é cenário e antigos moradores os protagonistas. Essa mostra fez enorme sucesso na edição passada, sendo uma oportunidade para quem perdeu ou quer rever o que de melhor se produziu na arte fotográfica da região. A outra exposição está no Centro de Convenções Victor Brecheret, e reúnem algumas imagens presentes no livro André Carneiro Fotografias, lançado com exclusividade no último dia 16, em Atibaia. Para quem tiver interesse em adquirir os livros citados é só entrar em contato com o Instituto Garatuja. Escritor, poeta, cineasta e artista plástico, André tinha uma visão privilegiada para a fotografia – atividade que exerceu durante toda vida. Seu nome figura entre os precursores da Fotografia Moderna no Brasil, ao lado de fotógrafos brasileiros consagrados como Thomas Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, Madalena Schwartz e José Yalenti, entre outros. Esses nomes foram escolhidos por uma pesquisa internacional que selecionou 24 fotógrafos considerados pioneiros na arte fotográfica modernista no Brasil, com destaque para a foto Trilhos, de 1951. Essa foto fica em exibição permanente no Tate Gallery, em Londres. Ainda no Centro de Convenções o visitante poderá conhecer a exposição Capas do Tentativa e descobrir porque o jornal literário Tentativa é nosso maior bem cultural. Tentativa foi uma ousadia de jovens artistas locais, ou,"um sonho inverossímil realizado", como definiu o próprio André e contou, em sua realização, com Dulce Carneiro e César Mêmolo Jr. Realizado entre 1949 e 1951, em edições bimestrais, o Tentativa foi uma experiência única no Brasil ao reunir numa pequena cidade do interior os mais importantes nomes da literatura nacional, e mesmo internacional, através de seus correspondentes em Portugal, Argentina e França. Tentativa teve o logotipo de Aldemir Martins e apresentação de Oswald de Andrade, sendo avaliado na época como o jornal literário mais importante do Brasil. Foi tão grande a repercussão que Oswald de Andrade chegou a acalentar o sonho de formar aqui em Atibaia um centro cultural prevendo revitalizar a cultura nacional e agitar o meio artístico com debates, conferencias, etc. Sonho que nunca se concretizou. Tentativa é considerada peça fundamental da terceira geração modernista: A Geração de 45. Da pequena gráfica do Jornal O Atibaiense saíram nomes como: Sérgio Milliet, Murilo Mendes, Otto Maria Carpeaux, Guilherme de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Vinicius de Moraes, Lygia Fagundes Telles, Décio Pignatari e tantos outros. Confira.








































segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Livros de André Carneiro a venda no Garatuja e na Livraria Barqueta.

Para quem quiser conhecer melhor o trabalho literário e fotográfico de André Carneiro, o Instituto Garatuja está vendendo quatro livros do autor. O primeiro é O Teorema das Letras, quinto livro de contos e primeira obra póstuma. O livro foi lançado em Atibaia na última edição da Semana André Carneiro e traz uma avaliação do Prof. Ramiro Giroldo, da UFMS. O livro custa R$ 40,00. Na fotografia lançamos o belíssimo André Carneiro Fotografias, que reúne parte de sua produção. Algumas fotos foram realizadas em Atibaia. O livro é uma iniciativa de Mauricio Carneiro, filho do André, e traz textos complementares de Mauricio, do irmão Henrique Carneiro e do fotógrafo João Urban. Custa R$ 60,00. Temos ainda Confissões do Inexplicável, livro de contos com seissentas páginas que tem a introdução de Dorva Rezende. Esse livro foi bastante elogiado pela crítica especializada. Custa R$ 55,00. Além do Garatuja, esse livro também está a venda na Revistaria e Livraria do Barqueta, ao lado da Igreja Matriz. Por fim Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas, onde o autor revela situações envolvendo o ato de fotografar. Muitas das histórias também foram vividas em Atibaia. Ele custa R$ 35,00. Maiores informações: (11) 44129964, falar com o Márcio ou Cida.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Será lançado nessa sexta os Cadernos da Semana.

Criado para dar visibilidade aos artistas locais e regionais participantes da Semana André Carneiro, esse segundo número do Caderno da Semana ainda não cumpre plenamente sua proposta. A intenção é envolver a classe artística por meio de convites, concursos ou editais. Fato que ainda não aconteceu. Focamos então em assuntos presentes na 3a Semana André Carneiro. Nele o destaque é o jornal literário Tentativa, publicado em Atibaia entre 1949 e 1951, por André Carneiro, sua irmã Dulce Carneiro e César Mêmolo Júnior. Esse jornal é nosso maior patrimônio cultural.  Fato comprovado por sua importância, não só para a cidade e região, mas para o país, uma vez que oferece rico material de estudo da Geração de 45. Período esse com poucas referências. No Tentativa participaram artistas e intelectuais que hoje fazem parte da cultura nacional, como Carlos Drummond de Andrade, Lygia Fagundes Telles, Vinicius de Moraes entre tantos outros. O homenageado dessa edição é César Mêmolo Júnior, que tem seu nome intimamente ligado ao jornal Tentativa, sendo ele o único responsável pelos dois últimos números. César Mêmolo Júnior teve uma participação intensa na cultura local nos anos quarenta e cinquenta, período em que participou do grupo de vanguarda que iria deixar importantes contribuições a cidade que perduram até hoje, como a criação da primeira Biblioteca Pública, hoje Biblioteca Municipal Joviano Franco da Silveira. Ainda sobre o Tentativa publicamos uma entrevista feita pela Araceles Stamatiu com o artista plástico Aldemir Martins, responsável pela criação da logomarca do jornal. O texto integrou a versão fac-símile, publicado em 2006, na qual Araceles foi organizadora. A Semana André Carneiro é uma realização do Instituto de Arte e Cultura Garatuja e a Prefeitura da Estância de Atibaia, através da Secretaria de Cultura e Eventos.