domingo, 26 de abril de 2026

Passo Certo – caminhada noturna

 










Entre as atividades da 13ª Semana André Carneiro, a fotógrafa Alline Nakamura propõe Passo Certo, uma caminhada noturna coletiva pela Rua José Lucas. Inspirada na fotografia homônima realizada por Dulce Carneiro, a atividade convida o público a percorrer um trecho marcante da trajetória dos irmãos André e Dulce Carneiro, em um exercício de observação, conversa e reflexão sobre suas obras e sobre as relações que elas estabelecem com a cidade de Atibaia, em constante transformação.

Ao longo do percurso, os participantes serão convidados a pensar como a produção fotográfica de André e Dulce dialoga com a paisagem urbana, a memória e as mudanças do município. Integrantes do Foto-Cine Clube Bandeirante, os irmãos Carneiro projetaram-se como importantes nomes da fotografia brasileira do século XX, com obras de destaque na cena cultural nacional e presença em acervos de instituições internacionais, como Tate Gallery, de Londres.

Alline Nakamura é artista visual e mestre em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo (USP), com graduação em Artes Plásticas pelo CAP-ECA/USP. Integra o Clube Atibaiense de Fotografia, o Coletivo André Carneiro e o GPIF-USP. Em 2014, publicou o livro visual De longe, de perto, com apoio do ProAC. Coordenou a mostra itinerante Vistas de Lá e Cá, contemplada pelo ProAC Lab Expresso – Aldir Blanc. Realizou quatro exposições individuais, participou de diversas mostras coletivas no Brasil e de duas no exterior.


Caminhada Passo Certo
Dia 15 de maio - saída às 19 horas
Ponto de encontro: Praça da Matriz, no coreto ao lado do Centro Cultural André Carneiro - Atibaia SP
Recomendado chegar 10 minutos antes e quem puder, traga uma lanterna.
Previsão de chegada: Igreja do Rosário, às 20h30
A atividade é gratuita e aberta ao público. Participe! 

sábado, 25 de abril de 2026

Dulce Carneiro — a fotógrafa desconhecida de Atibaia começa a ser revelada

 

No dia 9 de maio tem início a 13ª Semana André Carneiro. A abertura do evento promete ser um momento especial para todos que se interessam pelos grandes personagens da história local. Dulce Carneiro é hoje uma importante figura feminina que surge no histórico cultural atibaiano. Sua trajetória sempre despertou a curiosidade de artistas e moradores mais atentos, embora, até hoje, poucos tenham tido a oportunidade de conhecê-la em profundidade. A vida e a obra dessa fotógrafa modernista, que em determinado momento decidiu apagar o próprio legado, são o ponto de partida de ‘Revelar Dulce Carneiro’, livro da jornalista e pesquisadora Ciça Carboni. A publicação resgata sua história e investiga o enigma em torno do apagamento de uma artista que circulou entre nomes centrais da cultura paulistana. Após mais de três décadas de produção ao lado de figuras relevantes da cultura e da política em São Paulo, Dulce destruiu negativos e fotografias, interrompendo abruptamente sua carreira e deixando lacunas que atravessaram gerações. A pesquisa conduzida por Ciça Carboni, iniciada há mais de seis anos, parte justamente desses vestígios para reconstruir sua trajetória. Nascida em Atibaia, Dulce teve seu primeiro contato com a fotografia aos 11 anos, influenciada pelo irmão, André Carneiro. Mais tarde, integrou o Foto Cine Clube Bandeirante, na capital paulista, onde esteve entre as poucas mulheres a romper as barreiras de um circuito predominantemente masculino. Ao longo das décadas de 1950 e 1960, transitou por diferentes áreas como poesia, crônica, jornalismo e moda, até se consolidar como retratista e fotógrafa de arquitetura. “Não era um caminho óbvio. Uma jovem do interior, nos anos 1950, construir autonomia e se firmar em campos como fotografia, poesia e moda revela uma trajetória de ruptura e afirmação”, observa Ciça Carboni. A narrativa do livro é construída a partir de depoimentos de amigos e assistentes, além de um mosaico de imagens recuperadas em arquivos e coleções particulares. O trabalho também dialoga com a história de outras mulheres cujas trajetórias foram interrompidas ou invisibilizadas. “O apagamento não se explica por um único fator. Ele se insere em um contexto mais amplo, que envolve gênero, memória e as formas como a história é registrada e preservada”, afirma a autora. “Hoje, quando tudo parece feito para durar no ambiente digital, a decisão de desaparecer ganha ainda mais camadas de significado.” Faz parte da programação da Semana André Carneiro uma roda de conversa que irá abordar a fotografia modernista, evento que contará com a participação do CAF - Clube Atibaiense de Fotografia, além de uma palestra sobre a vida e a obra da artista local.

SERVIÇO
Abertura da 13ª Semana André Carneiro
Dia 09 de maio, sábado
16 horas: Roda de conversa sobre a Fotografia Modernista e Dulce Carneiro
20 horas: Lançamento do livro Revelar Dulce Carneiro e palestra com a autora.
Local: Instituto de Arte e Cultura Garatuja
Rua Esmeraldo Tarquínio, 346 - Jardim Tapajós - Atibaia SP
Entrada franca



sábado, 11 de abril de 2026

Dulce Carneiro – a desconhecida artista de Atibaia

 



Em fevereiro de 2018 morreu uma das últimas expoentes do movimento cultural de vanguarda formado no final da década de quarenta em Atibaia. Escritora, fotógrafa e pioneira no jornalismo de moda, Dulce Carneiro participou ativamente dos acontecimentos culturais daquele período. Embora jovem, teve importância fundamental na criação de inúmeras ações que deixaram sua marca na formação cultural do município. O pintor Aldemir Martins, em inicio de carreira e também participante desse movimento descreve seu primeiro contato com ela: “Como os artistas acabam se encontrando, conheci a Dulce Carneiro. Uma menina linda de vestido de crochê, falando francês e inglês, familiarizada com os grandes movimentos artísticos do mundo. Uma intelectual”. Qualidades que também chamaram a atenção de Oswald de Andrade: “O Brasil possui um grande poeta – Cassiano Ricardo. E uma poetisa – você!”. Em 1953 Dulce Carneiro publica “Além das Palavras”, livro editado pelo Clube da Poesia. Na contra capa um desenho de Aldemir Martins e a apresentação: “Entre os nomes de maior prestígio que formam o grupo dos poetas novíssimos de São Paulo, destaca-se o de Dulce Carneiro, jovem integrante da reduzida e brilhante equipe que editou, durante dois anos, em Atibaia, o periódico literário “Tentativa”. Nos fins dos anos cinquenta Dulce Carneiro mantinha a coluna “Uma Crônica por mês” no jornal O Estado de São Paulo. Numa delas revela sua segunda paixão: a fotografia. Influenciado pelo irmão André, aos onze anos começa a fotografar e aos trinta se profissionaliza. Extremamente técnica, especializou-se em fotografia portrait de grandes empresários, homens de negócios, artistas, políticos e demais personalidades. Outra especialidade de Dulce Carneiro foi à fotografia de arquitetura e engenharia de grandes obras como hidrelétricas, usinas siderúrgicas, usinas nucleares, minas de carvão, fábricas etc. Dulce Carneiro foi bastante conhecida, conceituada e requisitada na área, além de ser uma das primeiras a romper a hegemonia masculina dos grandes fotógrafos brasileiros. Nos anos cinquenta ingressa no Foto Cine Clube Bandeirante, ambiente majoritariamente masculino. Dulce Carneiro, ao contrário do irmão André, mudou cedo de Atibaia. Faleceu na cidade de São Sebastião e não deixou filhos. Negativos fotográficos, recortes de jornais e outras memórias de sua produção artística foram destruídas por ela. Quase nada sobrou de uma vida dedicada à arte e a cultura, agora só revelada pelos curiosos pesquisadores que se propuserem a desvendar os encantos e os mistérios da alma humana.

O texto acima integrou a 5ª edição da Semana André Carneiro, realizada em 2018, que homenageou Dulce Carneiro. Agora, na 13ª edição do evento, a abertura será marcada pelo lançamento do livro “Revelar Dulce Carneiro”, da jornalista e pesquisadora Ciça Carboni. Ciça é uma das estudiosas que se debruçaram sobre a vida e a obra dessa artista singular, figura emblemática da cultura brasileira que, para nós, atibaianos, desperta interesse ainda mais profundo. Nascida em Atibaia, Dulce Carneiro permanece, em muitos aspectos, uma personagem envolta em lacunas. Para aqueles que valorizam a cultura local, se interessam pelos artistas que contribuíram para a formação do município e desejam conhecer melhor os personagens de nossa história, esta é uma oportunidade imperdível. O lançamento acontece no dia 9 de maio de 2026, às 20h, no Instituto de Arte e Cultura Garatuja e será precedido por uma palestra sobre o tema proferida pela autora. A iniciativa integra a programação da 13ª edição da Semana André Carneiro, que por questões alheias a nossa vontade não contará esse ano com a participação e apoio da Secretaria de Cultura de Atibaia. Agende e participe.