sábado, 25 de abril de 2026

Dulce Carneiro — a fotógrafa desconhecida de Atibaia começa a ser revelada

 

No dia 9 de maio tem início a 13ª Semana André Carneiro. A abertura do evento promete ser um momento especial para todos que se interessam pelos grandes personagens da história local. Dulce Carneiro é hoje uma importante figura feminina que surge no histórico cultural atibaiano. Sua trajetória sempre despertou a curiosidade de artistas e moradores mais atentos, embora, até hoje, poucos tenham tido a oportunidade de conhecê-la em profundidade. A vida e a obra dessa fotógrafa modernista, que em determinado momento decidiu apagar o próprio legado, são o ponto de partida de ‘Revelar Dulce Carneiro’, livro da jornalista e pesquisadora Ciça Carboni. A publicação resgata sua história e investiga o enigma em torno do apagamento de uma artista que circulou entre nomes centrais da cultura paulistana. Após mais de três décadas de produção ao lado de figuras relevantes da cultura e da política em São Paulo, Dulce destruiu negativos e fotografias, interrompendo abruptamente sua carreira e deixando lacunas que atravessaram gerações. A pesquisa conduzida por Ciça Carboni, iniciada há mais de seis anos, parte justamente desses vestígios para reconstruir sua trajetória. Nascida em Atibaia, Dulce teve seu primeiro contato com a fotografia aos 11 anos, influenciada pelo irmão, André Carneiro. Mais tarde, integrou o Foto Cine Clube Bandeirante, na capital paulista, onde esteve entre as poucas mulheres a romper as barreiras de um circuito predominantemente masculino. Ao longo das décadas de 1950 e 1960, transitou por diferentes áreas como poesia, crônica, jornalismo e moda, até se consolidar como retratista e fotógrafa de arquitetura. “Não era um caminho óbvio. Uma jovem do interior, nos anos 1950, construir autonomia e se firmar em campos como fotografia, poesia e moda revela uma trajetória de ruptura e afirmação”, observa Ciça Carboni. A narrativa do livro é construída a partir de depoimentos de amigos e assistentes, além de um mosaico de imagens recuperadas em arquivos e coleções particulares. O trabalho também dialoga com a história de outras mulheres cujas trajetórias foram interrompidas ou invisibilizadas. “O apagamento não se explica por um único fator. Ele se insere em um contexto mais amplo, que envolve gênero, memória e as formas como a história é registrada e preservada”, afirma a autora. “Hoje, quando tudo parece feito para durar no ambiente digital, a decisão de desaparecer ganha ainda mais camadas de significado.” Faz parte da programação da Semana André Carneiro uma oficina que irá abordar a fotografia modernista e uma palestra sobre a vida e a obra da artista local.

SERVIÇO
Abertura da 13ª Semana André Carneiro
Dia 09 de maio, sábado
16 horas: Oficina Fotografia Modernista e Dulce Carneiro
20 horas: Lançamento do livro Revelar Dulce Carneiro e palestra com a autora.
Local: Instituto de Arte e Cultura Garatuja
Rua Esmeraldo Tarquínio, 346 - Jardim Tapajós - Atibaia SP
Entrada franca



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